Política

Audiência na Câmara de Natal expõe entraves e propõe ações para ampliar doação de órgãos

Foto: Otávio Augusto
A Câmara Municipal de Natal promoveu audiência sobre a doação de órgãos, reunindo especialistas e representantes da sociedade civil  |   BNews RN - Divulgação Foto: Otávio Augusto
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 17/11/2025, às 13h10



A Câmara Municipal de Natal promoveu nesta sexta-feira (14) uma audiência pública dedicada à discussão da doação de órgãos na capital.

O debate, intitulado “Super-humanos: vidas que doam vidas. A atual realidade do transplante de órgãos em Natal”, foi conduzido pelo vereador Cláudio Custódio (PV) e reuniu médicos especialistas, coordenadores de centrais reguladoras, representantes de organizações da sociedade civil e transplantados.

O tema é familiar ao parlamentar: há uma década, ele doou parte do próprio fígado para um jovem que aguardava um transplante. Apesar de emblemática, essa experiência é exceção frente às barreiras enfrentadas no sistema de captação e transplantes.

Entre os principais problemas, destacou Custódio, está a comunicação insuficiente entre hospitais e a Central de Transplantes. Para detalhar o cenário, ele convidou Rogéria Medeiros, coordenadora do setor na Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP).

Rogéria apresentou números que evidenciam o desafio: mais de 900 pessoas aguardam por um transplante no Rio Grande do Norte. Segundo ela, a subnotificação de óbitos é um dos principais gargalos. “São mais de 4 mil mortes por ano no estado. Se esses óbitos fossem notificados, ampliaríamos o contato com as famílias e aumentaríamos os transplantes”, afirmou.

O médico Paulo Medeiros, urologista e chefe da unidade de transplantes do Hospital Universitário Onofre Lopes, reforçou o impacto da falta de estrutura hospitalar.

Ele explicou que o diagnóstico de morte cerebral - etapa fundamental para a doação - muitas vezes é prejudicado pela superlotação e pela carência de profissionais. “Às vezes temos a indicação para captação, mas a equipe não consegue acionar a Central porque o leito precisa ser liberado rapidamente”, disse.

Apesar dos entraves estruturais, Medeiros chamou atenção para o papel decisivo da família. Segundo ele, manifestar em vida o desejo de ser doador facilita o processo e reduz dúvidas na hora da decisão.

“O Brasil tem média de 20 doadores por milhão de habitantes. No RN, são 10. Precisamos falar sobre isso. Quando a família sabe da vontade do paciente, o processo se torna menos difícil”, reforçou.

Ao final da audiência, foram apresentados encaminhamentos: criação de um Núcleo Municipal de Apoio a Pacientes em Fila de Transplante, instituição de um Programa Municipal de Conscientização sobre Doação de Órgãos e a proposta de um Dia Municipal da Família Doadora de Órgãos e Tecidos, a ser celebrado em setembro.

“Quando o assunto é doação de órgãos, não existe esquerda ou direita. Existe vida. E a vida não pode esperar”, concluiu o vereador Cláudio Custódio.

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