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Política

Contrato da esposa de Moraes com Banco Master previa atuação em órgãos públicos, mas registros apontam ausência de atividade

O contrato de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master inclui valores altos e atuação em órgãos estratégicos, mas sem registros de atividade  |  Imagem: Evarista Sa/AFP

Publicado em 17/12/2025, às 12h58   Imagem: Evarista Sa/AFP   Giovana Gurgel

O contrato firmado entre a advogada Viviane Barci de Moraes (esposa de Alexandre de Moraes) e o Banco Master previa atuação junto a órgãos estratégicos do Estado, incluindo a Receita Federal ; a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN); o Banco Central do Brasil; e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Segundo dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, o Banco Central comunicou que não encontrou qualquer registro de movimentação da advogada ou de representantes de seu escritório no período entre janeiro de 2024 e a data atual, mesmo durante a vigência do contrato.

Da mesma forma, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica declarou que não há registros de visitas, reuniões ou interações da advogada ou de seu escritório, inclusive no contexto da tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

Escopo e valores do contrato

O acordo entre a advogada e o banco previa o pagamento de R$ 3,6 milhões por mês ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, valor que somaria até R$ 129 milhões ao longo de três anos, se cumprido integralmente até o início de 2027.

O escritório, que tem a advogada Viviane Barci de Moraes como sócia-proprietária e conta com a participação dos dois filhos do casal, foi contratado para estruturar “cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa”, conforme o contrato revelado pelas reportagens.

Relatórios de bancos de dados públicos indicam que, em meio a mais de 77 mil processos envolvendo o Banco Master , o nome de Viviane Barci de Moraes aparece formalmente em apenas um registro processual, o que contrasta com a amplitude prevista no acordo.

Contexto e desdobramentos

O contrato foi localizado no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga um complexo esquema de fraudes financeiras envolvendo o Master e seus executivos.

Em setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), após identificar fraudes contábeis destinadas a encobrir prejuízos nas cessões de crédito, apontando potencial de perdas bilionárias.

Embora o contrato tenha sido divulgado, não há indícios públicos de que a advogada tenha atuado em qualquer procedimento nos órgãos citados, o que levanta questionamentos sobre a execução prática do acordo diante dos registros oficiais disponíveis.

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