Política

PF aponta que dinheiro desviado da saúde seria destinado à campanha de Allyson

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Operação Mederi revela desvio de R$ 100 mil para campanha eleitoral envolvendo o prefeito Allyson Bezerra, segundo investigações  |   BNews RN - Divulgação Reprodução: Internet
Jussier Lucas

por Jussier Lucas

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Publicado em 27/01/2026, às 19h45



A Polícia Federal investiga um esquema de fraudes em contratos da saúde pública no Rio Grande do Norte, que teria como objetivo desviar recursos para financiar campanhas eleitorais futuras, incluindo as do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e do vice-prefeito Marcos Medeiros.

Diálogos interceptados revelam que os investigados planejavam acumular valores ilícitos, com menções a propinas que poderiam chegar a R$ 100 mil, para uso em campanhas políticas, evidenciando a conexão entre corrupção e o cenário eleitoral local.

A Justiça determinou medidas cautelares, como buscas e apreensões, e o bloqueio de bens, enquanto a investigação aponta que a estrutura do esquema envolvia gestores e secretários, com o prefeito negando qualquer participação nas irregularidades.

Resumo gerado por IA

A Polícia Federal apontou que valores desviados por meio de um suposto esquema de fraudes em contratos da saúde pública no Rio Grande do Norte teriam como finalidade o financiamento de futuras campanhas eleitorais. A informação consta em decisão judicial da Operação Mederi, obtida pelo jornalista Dinarte Assunção, do Blog do Dina.

De acordo com o documento, os investigados estariam a arquitetar a acumulação gradual de recursos ilícitos, oriundos de pagamentos indevidos, com o objetivo de utilizá-los em campanhas políticas futuras. Entre as possibilidades mencionadas nas investigações estão campanhas do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, citado como potencial candidato ao Governo do Estado, e do vice-prefeito Marcos Medeiros.

As informações constam de diálogos interceptados e transcritos na decisão judicial, nos quais os investigados discutem a estratégia de reservar parte dos valores desviados, em vez de realizar repasses imediatos, visando à formação de um montante para uso eleitoral.

“Matemática de Mossoró”: esquema previa divisão fixa de propinas

Na mesma decisão, a Justiça detalha um dos pontos mais sensíveis da investigação, descrito pelos próprios envolvidos como “Matemática de Mossoró” — expressão utilizada para definir a forma como os valores desviados eram calculados e repartidos dentro do suposto esquema criminoso.

Reprodução: Blog Dina
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Segundo o documento, diálogos interceptados entre empresários da empresa DISMED revelam, de maneira objetiva, a divisão das propinas. Em uma das conversas transcritas, o sócio Oseas Monthalggan afirma que 15% dos valores desviados seriam destinados a “ALLISSON”, referência que a investigação associa ao prefeito Allyson Bezerra.

A decisão judicial aponta ainda que, em determinado áudio, os investigados detalham que, de um lucro estimado em R$ 130 mil, cerca de R$ 100 mil seriam separados para pagamentos ilícitos. Desse montante, 10% ficariam com uma pessoa identificada como “Fátima”, enquanto os 15% restantes seriam destinados ao prefeito, restando apenas R$ 30 mil para a empresa — valor que motivava reclamações entre os sócios quanto à baixa margem de lucro.

Reprodução: Blog Dina
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O documento descreve também o modus operandi do esquema: a Prefeitura emitia ordens de compra no valor de R$ 400 mil, mas a empresa fornecia efetivamente apenas R$ 200 mil em medicamentos. O valor pago por produtos não entregues seria utilizado para sustentar o lucro empresarial e o pagamento das comissões ilícitas aos agentes políticos.

Para a autoridade policial citada na decisão, esse mecanismo coincide com irregularidades semelhantes já identificadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) em outros municípios, envolvendo pagamentos por insumos de saúde não fornecidos.

Conversas citam reserva de propina para projetos políticos

Segundo a decisão, as conversas indicam que parte da propina, mencionada em valores que chegariam a R$ 100 mil, deveria ser separada para fins eleitorais. Em um dos trechos citados, um dos investigados sugere a retirada gradual do dinheiro ilícito, com a finalidade de entregá-lo posteriormente como apoio financeiro a campanhas.

Reprodução: Blog Dina
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Para a Justiça, o conteúdo dos diálogos demonstra que os envolvidos tinham ciência do cenário político local e estruturavam as supostas ações ilícitas considerando a sucessão eleitoral.

Reprodução: Blog Dina
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A decisão aponta que a destinação dos recursos desviados da área da saúde teria como finalidade a manutenção e o fortalecimento do grupo político no poder por meio de financiamento irregular de campanhas.

Na mesma decisão, a autoridade policial coloca Allyson Bezerra e o vice-prefeito Marcos Medeiros no topo da estrutura criminosa investigada, apontando que a anuência da cúpula administrativa seria fundamental para o funcionamento do esquema.

O documento ressalta que essa conclusão se baseia na posição hierárquica dos gestores e no controle final sobre contratos e pagamentos.

A investigação também destaca a dimensão financeira do suposto esquema. Dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN), citados no inquérito, indicam que a Prefeitura de Mossoró transferiu mais de R$ 13,5 milhões à empresa DISMED entre os anos de 2021 e 2025, considerada a principal beneficiária dos contratos sob apuração.

De acordo com a decisão judicial, no nível intermediário da organização estariam secretários e gestores administrativos, responsáveis por garantir as condições institucionais para a execução dos contratos.

Já no nível operacional, fiscais e gestores de contrato teriam viabilizado pagamentos por materiais não entregues ou fornecidos de forma irregular, mediante atestados falsos.

A Justiça avalia que o volume de recursos públicos envolvidos, aliado à estrutura organizada descrita na investigação, justifica as medidas cautelares adotadas, como mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens. O prefeito Allyson Bezerra nega qualquer envolvimento com as irregularidades investigadas.

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