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RN vira vitrine da própria alma: Assembleia transforma cultura, fé e natureza em lei

Deputados destacam a importância de preservar a cultura popular e as expressões artísticas como patrimônio do Estado  |  Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Publicado em 23/12/2025, às 14h00   Marcello Casal Jr./Agência Brasil   Giovana Gurgel

Iniciativas transformam em lei a identidade do povo potiguar. Mais de 80 projetos aprovados em 2025 reconhecem manifestações culturais, religiosas, artísticas e naturais em todas as regiões do Estado. O Rio Grande do Norte passou a ter sua história, sua fé, sua arte e suas paisagens protegidas por lei.

Em 2025, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) aprovou mais de 80 projetos que oficializam como patrimônio estadual festas, tradições, grupos culturais, igrejas e espaços naturais espalhados por todo o território potiguar. A medida consolida um amplo movimento de valorização da identidade do Estado.

As iniciativas alcançam todas as regiões, do litoral ao sertão, e conferem reconhecimento legal a práticas e lugares que já faziam parte da memória coletiva da população. A proposta é garantir proteção institucional e preservar esses símbolos para as futuras gerações, reforçando o sentimento de pertencimento do povo potiguar.

Segundo o presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira, o conjunto de leis representa mais do que registros formais. Para ele, trata-se de preservar páginas vivas da história do Rio Grande do Norte, assegurando que tradições e referências culturais não se percam com o tempo.

Cultura popular e tradição ganham força de lei

Entre os projetos aprovados estão iniciativas voltadas à cultura popular. A deputada Divaneide Basílio, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi responsável por leis que reconhecem o ofício das catadoras de mangaba; a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte (OSRN); o Carnaval Tradição de Alexandria; e as Bandeirinhas de Touros como patrimônios culturais do Estado.

As quadrilhas juninas, símbolos dos festejos de São João em diversas cidades, também passaram a integrar o patrimônio estadual. O reconhecimento foi proposto pela deputada Eudiane Macedo, do Partido Verde (PV), valorizando uma das manifestações culturais mais presentes no calendário nordestino.

A deputada Isolda Dantas, também do PT, garantiu o reconhecimento do artesanato em barro produzido pelas Mulheres da Loiça, na comunidade de Pindoba. A parlamentar ainda incluiu como patrimônios o Memorial da Resistência de Mossoró e o Santuário do Lima, em Patu, ampliando o alcance das leis para marcos históricos e religiosos.

Fé, música e história no interior do Estado

Projetos voltados às tradições religiosas, musicais e históricas do interior também ganharam espaço.

O deputado Adjuto Dias, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), foi autor de propostas que transformaram em patrimônio a Filarmônica Itanildo Medeiros, em Angicos; a Capela de Nossa Senhora de Fátima, em Macaíba; e a Casa de Cultura Popular de Caicó.

Já o deputado Kleber Rodrigues, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), destacou manifestações ligadas à devoção e à música, como a Festa dos Mártires de Cunhaú, em Canguaretama; e a Banda Marcial Doutor Severiano, em Macaíba.

O presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira, também incluiu no rol de patrimônios o Projeto Cultural Ribeira Boêmia, em Natal, além das tradicionais Cercas de Pedra, símbolos da resistência histórica do sertão potiguar.

Paisagens naturais e festas entram para o patrimônio

A natureza potiguar também passou a contar com proteção legal. Por iniciativa do deputado Luiz Eduardo, do Solidariedade (SDD), locais como o Morro do Careca; as Dunas de Genipabu; o Parque Ecológico Pico do Cabugi; a Praia de Tourinhos; e a Rota dos Ventos receberam o título de patrimônio estadual.

O deputado Neilton Diógenes, do Progressistas (PP), voltou sua atenção para festas populares e religiosas, garantindo reconhecimento à Festa de São José, em Rodolfo Fernandes; ao Carnaval de Apodi e à Festa do Dia do Evangélico.

Outros parlamentares contribuíram para ampliar a lista. Hermano Morais, do Partido Verde (PV), assegurou o título de patrimônio a festas como a de São Pedro, em Natal; e a de Nossa Senhora da Conceição, em Lagoa Nova.

Tomba Farias, do Partido Liberal (PL), incluiu o Festival de Cultura de Passa e Fica; a Festa do Caju, em Jaçanã; e o Coral de Santa Rita de Cássia, em Santa Cruz.

Artes, cinema e turismo fortalecem identidade potiguar

As expressões artísticas também foram contempladas. O deputado Francisco do PT garantiu o reconhecimento da Mostra de Cinema de Gostoso; da Paixão de Cristo de Janduís e da Companhia Cultural Ciranduís; iniciativas que levam arte e cultura a diferentes regiões do Estado.

O turismo ganhou reforço com a proposta do deputado Vivaldo Costa, do PSDB, que transformou em patrimônio o Complexo Turístico Ilha de Santana, em Caicó, um dos principais símbolos do Seridó.

O conjunto de leis reflete a diversidade cultural, religiosa, artística e natural do Rio Grande do Norte. Ao transformar essas expressões em patrimônio oficial, a Assembleia Legislativa fortalece a identidade potiguar, protege o passado e investe no orgulho e na memória das próximas gerações.

Classificação Indicativa: Livre


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