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Publicado em 03/03/2026, às 13h40 EFE/EPA/Caroline Brehman / Marie-Lan Nguyen / Wikipedia José Nilton Jr.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (3) que a Warner Bros. Discovery exiba na plataforma HBO Max o documentário Escravos da Fé: Os Arautos do Evangelho. A produção reúne relatos sobre a rotina e práticas internas da congregação religiosa.
A decisão revoga determinação anterior do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia proibido a exibição da obra em dezembro, até a conclusão de disputa judicial envolvendo o conteúdo.
A associação ligada aos Arautos do Evangelho acionou a Justiça para impedir a divulgação, alegando que os fatos retratados também integram processo criminal sigiloso conduzido pela Promotoria de Caieiras, em São Paulo, onde a congregação mantém sede e constrói uma basílica.
No STF, a Warner argumentou que não é parte na ação judicial e que não teve acesso a dados protegidos por sigilo. Sustentou ainda que a decisão do STJ contrariava entendimento consolidado da Corte que veda censura prévia a obras jornalísticas e artísticas.
A empresa informou que adquiriu o conteúdo da produtora brasileira Endemol Shine, responsável pela investigação jornalística independente que deu origem ao documentário.
Ao analisar o caso, Flávio Dino concluiu que a proibição imposta pelo STJ era incompatível com a jurisprudência do STF e determinou sua revogação. O ministro afirmou que é inadmissível impedir previamente a divulgação de obra jornalística, cabendo eventual responsabilização apenas se houver abuso comprovado.
Dino também rejeitou a tese de que o documentário configuraria ataque à liberdade religiosa. Segundo ele, o debate público sobre temas religiosos integra o pluralismo democrático, desde que respeitados os limites constitucionais.
A Endemol Shine anunciou, em novembro do ano passado, que a produção abordaria denúncias envolvendo abuso e manipulação psicológica atribuídas à congregação.
Fundada em 1999 por João Scognamiglio Clá Dias, a associação foi reconhecida oficialmente pelo papa João Paulo II em 2001. Em 2019, o Vaticano determinou intervenção no grupo após investigação interna.
Em 2017, após o início das apurações relacionadas a práticas de exorcismo e condutas internas, Clá Dias deixou o cargo de Superior-Geral da Sociedade Clerical de Vida Apostólica.