A Paramount Skydance entrou com uma ação judicial nesta segunda-feira (12) contra a Warner Bros Discovery para obter mais informações sobre o acordo de US$ 82,7 bilhões, cerca de R$ 444,6 bilhões, firmado com a Netflix. A iniciativa intensifica a disputa pelo controle de um dos conglomerados mais valiosos da indústria do entretenimento mundial.
A empresa, liderada por David Ellison, também informou que pretende indicar novos diretores para o conselho da Warner Bros Discovery, em um movimento considerado um dos mais agressivos até agora para pressionar os acionistas.
Segundo a Paramount, sua oferta hostil de US$ 30, aproximadamente R$ 161,28, por ação em dinheiro seria mais vantajosa do que a proposta rival da Netflix, avaliada em US$ 27,75, cerca de R$ 149,18, por ação, composta por dinheiro e ações.
Disputa envolve estúdios históricos e franquias bilionárias
Paramount e Netflix disputam o controle da Warner Bros, que reúne estúdios de cinema e televisão de grande peso e uma vasta biblioteca de conteúdo. Entre os ativos estão franquias consagradas como Harry Potter e o universo da DC Comics, responsável por personagens como Superman e Batman.
Em carta enviada aos investidores, a Paramount informou que pretende propor uma mudança no estatuto da Warner Bros Discovery. A alteração exigiria aprovação dos acionistas para qualquer separação dos negócios de televisão a cabo, ponto considerado central no acordo firmado com a Netflix.
A empresa argumenta que essa medida é necessária para garantir transparência e preservar o valor do conglomerado diante de decisões estratégicas que podem impactar diretamente os acionistas.
Paramount reforça crítica à cisão da TV a cabo
Na semana passada, a Paramount declarou que a divisão de televisão a cabo da Warner Bros Discovery praticamente não possui valor econômico. Na ocasião, reiterou uma oferta melhorada de US$ 108,4 bilhões, cerca de R$ 582,8 bilhões, após uma rejeição anterior pelo conselho de administração da empresa.
A proposta revisada inclui US$ 40 bilhões, aproximadamente R$ 215 bilhões, em ações garantidas pessoalmente por Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai de David Ellison, além de US$ 54 bilhões em dívidas.
Para a Paramount, a estrutura da oferta torna a operação mais robusta e menos sujeita a incertezas do mercado e a entraves regulatórios.
Carta aos acionistas eleva tom do confronto
Em mensagem direcionada aos investidores da Warner Bros Discovery, a Paramount afirmou que a empresa tem apresentado justificativas cada vez mais elaboradas para evitar uma negociação direta. Segundo a carta, o conselho nunca afirmou que o acordo com a Netflix seria financeiramente superior à proposta atual da Paramount.
A empresa destacou que, caso não haja engajamento nos termos do acordo de fusão envolvendo a Netflix, a decisão poderá ser levada à votação em assembleia de acionistas.
Procuradas, a Netflix e a Warner Bros Discovery não se manifestaram sobre a ação judicial nem sobre as declarações feitas pela Paramount.
Argumento central mira previsibilidade e risco regulatório
O principal argumento usado pela Paramount para convencer os investidores é que sua oferta em dinheiro por todo o grupo Warner Bros oferece maior previsibilidade financeira. Segundo a empresa, o acordo com a Netflix envolve apenas estúdios e ativos de streaming e estaria sujeito a riscos regulatórios mais elevados.
O desempenho considerado fraco da Versant, rede de televisão a cabo desmembrada da Comcast, também é citado como reforço à tese de que a proposta da Paramount é superior por abranger todo o conglomerado.
A oferta da Paramount expira em 21 de janeiro, mas a empresa sinalizou que pode prorrogar o prazo enquanto a disputa pelo controle da Warner Bros Discovery segue em escalada.