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Indígenas travam acesso à COP30 e exigem reunião com Lula: “Ninguém entra, ninguém sai”

Eles relatam que permanecerão mobilizados para expor os efeitos dessas iniciativas nas comunidades da região - Reprodução/Redes sociais
Além da cobrança por diálogo, os indígenas criticam fortemente a condução das políticas ambientais do governo e denunciam o impacto de projetos  |   BNews RN - Divulgação Eles relatam que permanecerão mobilizados para expor os efeitos dessas iniciativas nas comunidades da região - Reprodução/Redes sociais
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 14/11/2025, às 12h57



Cerca de 90 indígenas Munduruku bloquearam, na manhã desta sexta-feira (14) em Belém, a entrada do pavilhão de acesso à COP30, como forma de pressionar o governo federal durante o evento. A ação, organizada pelo Movimento Ipereg Ayu, paralisou o fluxo de participantes e elevou a tensão na área do evento. Os manifestantes afirmam que a liberação do acesso só acontecerá após uma reunião direta com o presidente Lula (PT).

Além da cobrança por diálogo, os indígenas criticam fortemente a condução das políticas ambientais do governo e denunciam o impacto de projetos de infraestrutura sobre seus territórios. Eles relatam que permanecerão mobilizados para expor os efeitos dessas iniciativas nas comunidades da região.

Uma das participantes declarou que o ato é um alerta para o que chamam de contradições entre discursos de sustentabilidade e práticas que, de acordo com eles, ameaçam a floresta. Ela afirmou que o grupo está exposto ao calor intenso com crianças doentes para evidenciar a gravidade da situação e reforçar que não permitirão a continuidade das atividades enquanto suas demandas não forem ouvidas.

Pressão por reunião com Lula

Entre os pedidos apresentados ao governo está a revogação do Decreto nº 12.600 de 2025, que implementa o Plano Nacional de Hidrovias para os rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Os manifestantes também reivindicam a anulação do projeto Ferrogrão, além de maior celeridade na demarcação de terras indígenas, pauta considerada urgente pelas lideranças presentes no protesto.

Os Munduruku afirmam que esses projetos representam riscos às comunidades locais e que a COP30 deveria ser um espaço de escuta e não apenas de discursos internacionais sobre meio ambiente. Eles alegam que a conferência não pode ignorar os conflitos vividos diariamente pelos povos originários, especialmente em regiões afetadas por empreendimentos logísticos e extrativistas.

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A mobilização se manteve firme durante toda a manhã e a orientação passada aos demais participantes era clara: somente a imprensa poderia permanecer no local. 

Reforço na segurança e clima de tensão

Diante do bloqueio, a segurança foi reforçada na entrada do evento. Equipes que atuam na COP30 permaneceram em alerta e acompanharam de perto a movimentação do grupo indígena, evitando confrontos durante a permanência deles no local.

Outros protestos

Na última quarta-feira (12), Belém amanheceu em clima de expectativa e tensão. Mais de duzentas embarcações ocuparam as águas do rio Guamá em uma grande barqueata simbólica, que marcou o início oficial da Cúpula dos Povos pelo Clima, evento paralelo à COP30, sediado na Universidade Federal do Pará (UFPA).

A mobilização reúne movimentos sociais, lideranças indígenas, ribeirinhos, ativistas ambientais e comunidades tradicionais que chegaram à capital paraense pelo rio, levando consigo bandeiras, cantos e reivindicações por justiça climática e defesa dos territórios amazônicos.

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