Política
Publicado em 13/11/2025, às 13h14 © Bruno Peres/Agência Brasil Giovana Gurgel
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, foi alvo de protestos durante seu discurso de abertura na Cúpula dos Povos, realizada na quarta-feira (12) em Belém, evento paralelo à COP30.
Manifestantes criticaram o governo federal por omissão em pautas ambientais e acusaram o ministro de ignorar problemas graves da Amazônia, como a exploração de petróleo e o avanço da mineração.
Entre os que protestaram estava o estudante de Geografia do Instituto Federal do Pará (IFPA), Eduardo Rodrigues, de 27 anos, que afirmou ter se sentido indignado com o discurso de Boulos.
“O governo Lula quer explorar petróleo na Amazônia, está privatizando rios e permitindo o avanço da mineração. Viemos cobrar coerência e compromisso com o meio ambiente”, declarou em entrevista ao Poder360.
Enquanto o ministro discursava, parte do público gritava palavras de ordem, entre elas: “Fernando Haddad é o Paulo Guedes do PT”.
Manifestantes empunhavam bandeiras da Palestina, do MTST e de outros movimentos sociais, em tom de insatisfação com o que consideram um distanciamento do governo em relação às suas bases históricas.
Eduardo Rodrigues, militante do Diretório Central de Estudantes do IFPA, disse que a fala de Boulos “ignorou os problemas reais da Amazônia”. O estudante acusou o governo de se contradizer ao defender políticas ambientais internacionais enquanto mantém projetos que ameaçam comunidades locais.
“Estamos aqui para cobrar o governo e lembrar que é com luta que a gente muda. O movimento social não existe para aplaudir governo nenhum”, afirmou.
O protesto se somou a outras críticas de setores da esquerda, especialmente dentro do PSOL, partido de origem de Boulos, que o acusam de se afastar das pautas populares desde que assumiu o cargo no governo Lula.
Boulos, que iniciou sua trajetória no MTST, foi nomeado ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência em 21 de outubro de 2025, assumindo a função de promover o diálogo entre a sociedade civil e o governo federal.
A Cúpula dos Povos, organizada paralelamente à COP30, reúne mais de 10 mil participantes entre indígenas, quilombolas, ribeirinhos e representantes de movimentos sociais.
O encontro, sediado na Universidade Federal do Pará (UFPA), busca fortalecer pautas populares e discutir alternativas sustentáveis com base em saberes ancestrais.
Após a abertura, houve apresentações culturais de carimbó, dança tradicional amazônica de origem afro-indígena, que simboliza resistência e celebração da identidade local.
Durante as apresentações, grupos entoaram cantos e palavras de ordem pedindo por maior representatividade dentro da COP30, que acontece oficialmente de 10 a 21 de novembro.
“Vamos à luta, vamos para a rua. Vamos enfrentar o petróleo e os combustíveis fósseis. O papel do movimento é cobrar o governo, sem passar a mão na cabeça de ninguém”, afirmou Eduardo Rodrigues, reforçando o tom de cobrança e mobilização que marcou a participação popular no evento.
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