Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 23/07/2026, às 12h45
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) apresentou denúncia, com a Justiça potiguar recebendo a acusação contra três investigados por participação em um suposto esquema criminoso que atuava na 1ª Vara Regional de Execução Penal. Tornaram-se réus a ex-funcionária terceirizada Mayara Pereira Silva, o condenado Israel de Andrade Maciel e o advogado Evandson Domingos Gomes.
A decisão acolheu a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRN). De acordo com o Ministério Público, as investigações não identificaram indícios de participação de outros servidores ou magistrados do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) nos fatos apurados.
O caso é resultado da Operação Entre Dois Mundos, realizada em 11 de dezembro de 2025, com apoio da Polícia Militar do RN, do Ministério Público da Paraíba e do Grupo de Segurança Institucional do TJRN.
Segundo a denúncia, a organização criminosa teria se infiltrado na estrutura da Vara de Execução Penal para beneficiar integrantes do Sindicato do Crime. Ainda de acordo com o MPRN, Mayara Pereira Silva atuava como assessora jurídica terceirizada e possuía acesso ao Sistema Eletrônico de Execução Unificado.
A investigação aponta que ela realizou alterações manuais em um processo de execução penal envolvendo seu companheiro, direcionando a ação para apreciação de um juiz substituto durante o período de férias do titular.
Ainda conforme a acusação, a medida resultou na concessão da progressão de regime e na retirada da tornozeleira eletrônica do preso. O Ministério Público sustenta ainda que a ex-servidora elaborava petições para outros integrantes da facção, consultava informações sigilosas do sistema prisional e compartilhava dados obtidos em razão do cargo.
Mayara Pereira responderá por organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro. Já Israel de Andrade Maciel é apontado como articulador do esquema dentro da facção.
Conforme a denúncia, ele teria convencido a companheira a favorecer integrantes do grupo criminoso, além de atuar na oferta de vantagens judiciais a presos e na coordenação de atividades relacionadas ao tráfico de drogas e ao comércio ilegal de armas. Ele responde por organização criminosa, corrupção ativa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.
Segundo o MPRN, ele teria cedido seu certificado digital para que a ex-servidora protocolasse petições de forma remota e utilizava o acesso às unidades prisionais para transmitir ordens entre líderes presos e integrantes em liberdade.
Ele responde por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.
Durante o cumprimento dos mandados da Operação Entre Dois Mundos, foram apreendidos celulares, um notebook, o certificado digital utilizado pelo advogado, dinheiro em espécie, uma arma de fogo e munições.
Ao concluir a investigação, o Ministério Público informou que não encontrou elementos que indiquem a participação de outros servidores ou autoridades do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte nos crimes atribuídos à ex-funcionária terceirizada.
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