Cidades
Publicado em 11/03/2026, às 10h42 Malu Machado
A confirmação de dois casos de contaminação pelo fungo Candida auris no Hospital Central Coronel Pedro Germano, em Natal, gerou um alerta nas autoridades de saúde, levando ao bloqueio de parte da área de internação da unidade para conter a propagação do superfungo.
Os pacientes afetados estão em isolamento e não apresentam sintomas, enquanto a Secretaria de Estado da Saúde Pública investiga possíveis falhas nos processos de limpeza do hospital, uma vez que o C. auris é conhecido por sua resistência e persistência em superfícies.
A Secretaria descartou a interdição total do hospital, priorizando o isolamento dos ambientes afetados e intensificando a desinfecção, enquanto a demanda por atendimentos cirúrgicos está sendo redirecionada para outras unidades de saúde da rede estadual.
A confirmação de casos de contaminação pelo fungo Candida auris no Hospital Central Coronel Pedro Germano (Hospital da PM), em Natal, acendeu um alerta nas autoridades de saúde.
Como medida de contenção, parte da área de internação da unidade foi bloqueada. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), em conjunto com a Anvisa e o Ministério da Saúde, avalia se o desbloqueio da ala cirúrgica poderá ocorrer na próxima semana.
Com o bloqueio da área cirúrgica, a Sesap informou que a demanda está sendo absorvida por outros hospitais da rede estadual, dependendo do quadro clínico de cada paciente. Por outro lado, as internações na linha de cuidado vascular seguem normais.
O secretário de Saúde, Alexandre Motta, descartou a interdição total da unidade. Segundo ele, a estratégia foca no isolamento dos pacientes e ambientes afetados, além da intensificação da desinfecção terminal.
A gente não está trabalhando com isso [interdição total], porque se for interditar, a princípio eu teria que parar todas as atividades. O correto é interdição de áreas, isolamento daquele paciente, isolamento dos ambientes e fazer as desinfecções terminais necessárias", afirmou o secretário.
Até o momento, dois pacientes foram identificados com o fungo:
Ambos seguem internados em isolamento e não manifestam sintomas da doença. A Sesap abriu uma investigação para apurar se houve falha nos processos de limpeza e higienização do Hospital da PM, já que o C. auris é conhecido por sua alta persistência em superfícies.
Conhecido como "superfungo", o Candida auris preocupa médicos pela sua resistência a medicamentos e facilidade em causar surtos hospitalares. Segundo a infectologista Gisele Borba, do Huol, o fungo afeta principalmente:
A médica esclarece que o fungo pode causar colonização (quando está no corpo sem causar doença) ou infecção (quando o paciente adoece). No Brasil, o tipo identificado ainda mantém sensibilidade à maioria dos antifúngicos, mas a higienização rigorosa das mãos e superfícies é a única forma de evitar que ele se espalhe para outros pacientes.
O fungo tem uma característica de persistência em superfícies incomum aos demais e também uma capacidade de resistência aumentada em relação às outras espécies. Como coloniza a pele, o Candida auris contamina superfícies hospitalares diversas pelo contato direto. Se não houver limpeza e desinfecção adequadas, outros pacientes que têm contato com aquele mesmo objeto podem se contaminar também", alerta a médica.
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