Cidades

Secretaria de Saúde investiga falha em limpeza após segundo caso de superfungo em hospital de Natal

Magnus Nascimento/Tribuna do Norte
Secretaria de Saúde investiga higienização após confirmação de segundo caso de Candida auris no hospital de Natal  |   BNews RN - Divulgação Magnus Nascimento/Tribuna do Norte

Publicado em 06/03/2026, às 11h47   Malu Machado



A Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN investiga a higienização do Hospital Central Coronel Pedro Germano após a confirmação de um segundo caso de Candida auris, um superfungo que representa riscos significativos à saúde. O secretário Alexandre Motta reconheceu que houve contaminação cruzada na unidade hospitalar.

O novo paciente, internado desde dezembro, testou negativo em exames anteriores, indicando que a infecção ocorreu dentro do hospital, possivelmente através de contato direto com a equipe de apoio. O Candida auris é preocupante devido à sua resistência a medicamentos, capacidade de sobrevivência em superfícies e dificuldade de diagnóstico.

Em resposta à situação, o hospital aumentou o número de profissionais de limpeza e implementou isolamento rigoroso nas áreas afetadas, além de desinfecção terminal. O governo descartou a interdição total do hospital, assegurando que o risco é restrito ao ambiente hospitalar e não há motivo para pânico na população em geral.

Resumo gerado por IA

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) está investigando os processos de higienização do Hospital Central Coronel Pedro Germano, em Natal, após a confirmação do segundo caso de Candida auris. 

O titular da pasta, Alexandre Motta, admitiu nesta quinta-feira (5) que houve uma "contaminação cruzada" dentro da unidade.

Contaminação

O novo paciente contaminado está internado desde dezembro e testou negativo duas vezes antes de apresentar o resultado positivo no terceiro exame. Isso prova que o microrganismo foi contraído dentro do hospital. Segundo o secretário, a transmissão ocorreu pelo pessoal de apoio ou contato direto.

O fungo não voou. Ele passou de pessoa para pessoa. Se aconteceu, é porque em algum momento a cadeia de limpeza não se deu da maneira adequada", afirmou Motta.

Em resposta, o número de profissionais de limpeza no hospital foi ampliado de 13 para 18.

Sem interdição total

Apesar do alerta, o Governo do RN descartou fechar o hospital. A estratégia atual foca no isolamento rigoroso das áreas afetadas e na desinfecção terminal dos ambientes. 

O secretário reforçou que não há motivo para pânico na população geral, já que o risco é restrito ao ambiente hospitalar e ao contato próximo.

O que é o Candida auris e por que ele preocupa?

O Candida auris não é um fungo comum. Ele é classificado como um "superfungo" por autoridades de saúde globais, como a OMS, devido a três fatores principais:

  • Multirresistência: ele apresenta resistência a diversos medicamentos antifúngicos que normalmente eliminam infecções por leveduras. Inúmeras vezes, nenhuma das três principais classes de fármacos disponíveis funciona.
  • Sobrevivência ambiental: diferente de outros fungos, o C. auris consegue sobreviver por longos períodos em superfícies hospitalares (maçanetas, corrimãos, equipamentos médicos) e na pele humana, facilitando surtos em ambientes de saúde.
  • Dificuldade de diagnóstico: ele pode ser facilmente confundido com outras espécies de Candida em exames laboratoriais convencionais, exigindo tecnologias avançadas para uma identificação precisa.

Quem está em risco?

O fungo atinge principalmente pacientes hospitalizados há muito tempo, com o sistema imunológico comprometido, ou que utilizam dispositivos invasivos como cateteres e tubos de ventilação. Em pessoas saudáveis, o risco de infecção grave é considerado baixo.

Classificação Indicativa: Livre

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