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Endividamento das famílias brasileiras bate recorde histórico e alcança 82%, revela pesquisa

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85% das famílias com dívidas utilizam cartão de crédito, que pode aumentar o comprometimento da renda se não for pago integralmente  |   BNews RN - Divulgação Reprodução
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 07/08/2026, às 09h43



O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida atingiu 82% em julho de 2026, o maior índice já registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento também mostra que quase duas em cada dez famílias já comprometem mais da metade da renda mensal para quitar débitos, cenário que evidencia a pressão sobre o orçamento dos brasileiros.

Em relação a junho, quando o índice era de 81,6%, houve crescimento de 0,4 ponto percentual. Na comparação com julho de 2025, o avanço foi ainda maior, passando de 78,5% para os atuais 82%, um aumento de 3,5 pontos percentuais.

Apesar do crescimento no número de famílias endividadas, o estudo aponta que o comprometimento médio da renda entre os consumidores com dívidas permaneceu praticamente estável nos últimos 12 meses, em 29,5%.

Cartão de crédito continua liderando as dívidas 

O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento no país. Segundo a CNC, 85% das famílias com dívidas utilizam essa forma de pagamento.

Na sequência aparecem os carnês, que representam 16% das modalidades de crédito utilizadas pelos consumidores endividados.

A pesquisa destaca que, embora o cartão de crédito seja um dos principais instrumentos para financiar o consumo, ele também pode ampliar o comprometimento da renda quando a fatura não é quitada integralmente.

Inadimplência recua, mesmo com alta no endividamento 

Enquanto o número de famílias endividadas alcançou um novo recorde, a inadimplência apresentou uma leve redução em julho. O percentual de famílias com contas em atraso passou de 29,9% em junho para 29,8% no mês seguinte. Na comparação com julho de 2025, quando o índice era de 30%, também foi registrada queda.

De acordo com a CNC, o resultado está relacionado às iniciativas de renegociação de débitos, entre elas o programa Desenrola Brasil 2.0, lançado em maio para consumidores com dívidas em atraso.

Já o programa Desenrola Adimplentes, criado em junho para trabalhadores sem carteira assinada que mantêm os pagamentos em dia, ainda não apresentou impactos perceptíveis nos indicadores analisados pela pesquisa durante o primeiro mês de funcionamento.

Quase 20% das famílias comprometem mais da metade da renda 

Outro dado que chamou a atenção foi o aumento do número de famílias que destinam mais de 50% da renda mensal ao pagamento de dívidas. Esse grupo representa 19% dos entrevistados, o maior percentual registrado desde março deste ano.

Segundo a pesquisa, o cenário demonstra que o crédito continua exercendo forte pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras, mesmo com a leve melhora nos indicadores de inadimplência.

Os resultados reforçam que, embora os programas de renegociação estejam contribuindo para reduzir o número de consumidores com pagamentos em atraso, o crescimento do endividamento segue como um dos principais desafios para as finanças das famílias no país.

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