Política
Publicado em 13/02/2026, às 15h16 Reprodução/DCM José Nilton Jr.
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a suspeitar que Dias Toffoli teria gravado, sem autorização, a reunião reservada realizada na quinta-feira (12), encontro que decidiu pela retirada dele da relatoria do caso Banco Master.
O conteúdo publicado reproduz com precisão falas atribuídas a diversos ministros, o que levou integrantes da Corte a confrontarem diretamente Toffoli. Segundo relatos, os magistrados indicaram que a gravação de fato teria ocorrido durante a reunião. A desconfiança surgiu após a divulgação de diálogos internos em uma reportagem do site Poder360.
Toffoli, por sua vez, negou qualquer envolvimento. Em declaração, afirmou que não gravou a conversa nem repassou informações a terceiros.
De acordo com informações preliminares, ministros relataram que o episódio é considerado sem precedentes dentro da Corte e provocou perplexidade e forte desconforto entre os participantes. Segundo eles, a suspeita abalou a confiança interna e criou um ambiente de tensão inesperado no Supremo.
Outro ponto que causou incômodo foi o recorte do material divulgado. De acordo com os magistrados, as falas selecionadas favorecem Toffoli e não refletem a complexidade nem o conjunto dos debates travados durante a reunião fechada.
O material divulgado traz declarações atribuídas a diversos integrantes da Corte. Gilmar Mendes, por exemplo, teria afirmado que decisões tomadas por Toffoli no caso contrariaram a Polícia Federal e que a corporação buscava uma reação.
Já Cármen Lúcia teria defendido que a imagem do Supremo precisava ser preservada, relatando críticas frequentes da população ao tribunal e ressaltando a necessidade de pensar na institucionalidade, ainda que confiasse pessoalmente em Toffoli.
Luiz Fux foi citado dizendo que confia na fé pública de Toffoli e que votaria a favor dele, demonstrando surpresa com o debate instaurado.
Outros ministros também tiveram posicionamentos expostos. Nunes Marques teria classificado a situação como sem base jurídica e criticado a possibilidade de submeter a suspeição de Toffoli à votação, afirmando que isso fragilizaria o Judiciário.
André Mendonça minimizou a alegação de vínculo próximo entre Toffoli e investigados, sustentando que poucos minutos de diálogo ao longo de anos não caracterizariam proximidade.
Cristiano Zanin questionou o valor jurídico do relatório da Polícia Federal, enquanto Flávio Dino afirmou que o documento não teria relevância legal e classificou o episódio como uma crise política que deveria ter sido conduzida de forma mais institucional pela presidência da Corte.
Apesar das divergências expostas na reunião e do apoio manifestado por alguns ministros, o entendimento majoritário foi de que a retirada de Toffoli da relatoria seria a melhor saída para preservar o Supremo.