Política

André Mendonça assume relatoria do Caso Master após Toffoli deixar processo

Carlos Moura/STF
Histórico do Caso Master inclui viagens polêmicas e investigações sobre transferências financeiras ligadas ao ministro Toffoli  |   BNews RN - Divulgação Carlos Moura/STF

Publicado em 13/02/2026, às 07h12   Malu Machado



André Mendonça foi escolhido como o novo relator do Caso Master no STF, após a saída de Dias Toffoli, que deixou a relatoria em meio a investigações da Polícia Federal sobre supostos pagamentos relacionados ao caso.

A crise no STF se intensificou com a entrega de um relatório que menciona pagamentos de R$ 20 milhões a uma empresa ligada a Toffoli, levantando suspeitas sobre a condução do caso e a relação do ministro com o Banco Master.

Os ministros do STF emitiram uma nota de desagravo a Toffoli, afirmando a validade de seus atos, enquanto a investigação continua e a tensão entre o STF e a Polícia Federal permanece alta, com novos desdobramentos esperados.

Resumo gerado por IA

Em sorteio realizado nesta quinta-feira (12), o ministro André Mendonça foi definido como o novo relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A redistribuição do processo ocorre após o ministro Dias Toffoli optar por deixar a relatoria, decisão acolhida de forma unânime pelos seus pares em reunião com a presença de dez magistrados. Participaram do sorteio todos os ministros, menos Toffoli e Fachin. 

Apesar da saída, Toffoli recebeu uma "nota de desagravo" dos colegas. Os ministros afirmaram que não cabe suspeição ou impedimento contra Toffoli, como havia sido sugerido pela Polícia Federal (PF), e declararam "plena validade" a todos os atos praticados por ele enquanto esteve à frente do caso.

A crise e a saída de Toffoli

A movimentação no STF acontece em um momento de alta tensão. Recentemente, a PF entregou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório com dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

As mensagens periciadas trazem menções a supostos pagamentos que totalizariam R$ 20 milhões direcionados a uma empresa ligada ao ministro. A investigação busca esclarecer se esses recursos teriam partido de uma empresa sócia de um fundo ligado ao Banco Master em um empreendimento de lazer frequentado por Toffoli.

Histórico e polêmicas do Caso Master no STF

O Caso Master se tornou um dos temas mais sensíveis do STF nos últimos anos, marcado por embates diretos entre o gabinete de Dias Toffoli e a Polícia Federal. Confira os pontos centrais do histórico:

  • O início e a viagem de jatinho: as suspeitas sobre a condução de Toffoli começaram logo após ele assumir o caso. O ministro viajou para a final da Libertadores, no Peru, no mesmo jatinho em que estava um dos advogados de defesa do banco investigado.
  • O resort Tayayá: a PF investiga transferências financeiras de empresas ligadas ao Banco Master para o Tayayá Resort, um empreendimento que pertenceu aos irmãos de Toffoli e era frequentado pelo ministro. Um fundo de investimento citada no caso teria injetado R$ 4,3 milhões no local.
  • Embate das provas: no início deste ano, Toffoli gerou uma crise institucional ao determinar que todo o material apreendido pela PF na operação contra o banco fosse lacrado e enviado diretamente ao STF, retirando a custódia das provas da Polícia Federal.
  • Recuo e perícia: após forte reação da PF e da PGR, o ministro recuou, autorizando o acesso aos documentos, mas impôs a condição de designar agentes próprios para acompanhar a perícia do material.
  • O volume de mensagens: a perícia no celular de Daniel Vorcaro revelou um volume de citações a políticos comparado por investigadores ao material da Operação Lava Jato, incluindo os detalhes sobre os supostos repasses milionários que culminaram na saída do ministro da relatoria nesta semana.

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