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Política

Nota acende alerta e expõe suspeita de pressão para salvar Banco Master

Informações sobre suposta pressão do ministro Alexandre de Moraes ao presidente do Banco Central levantam questionamentos sobre a autonomia da instituição  |  Hugo Barreto/Metrópoles

Publicado em 24/12/2025, às 15h46   Hugo Barreto/Metrópoles   Giovana Gurgel

Uma nota do Sindicato Nacional dos Servidores do Banco Central coloca mais um degrau na escalada das notícias sobre a suposta tentativa de pressão para livrar o Banco Master do processo de liquidação.

O documento ressalta a importância da estabilidade funcional para garantir decisões técnicas livres de interferências externas.

O texto foi divulgado no mesmo dia em que veio à tona a informação de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria pressionado o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, para favorecer o banco controlado por Daniel Vorcaro.

Tanto Moraes quanto Galípolo negam qualquer tipo de pressão. Ainda assim, a coincidência de datas e o teor das manifestações oficiais ampliaram a repercussão do caso e elevaram o nível de desconfiança em torno das decisões envolvendo a instituição financeira.

Nota oficial levanta questionamentos

Na nota do BC, divulgada cerca de 24 horas depois e de forma concomitante à manifestação do ministro, chamou atenção o trecho que afirma que “o BC confirma que manteve reunião com o ministro Alexandre de Moraes”. O texto, no entanto, não informa quem participou do encontro, nem datas ou local.

A ausência desses detalhes foi interpretada como um fator que amplia as suspeitas, ao deixar em aberto se a reunião envolveu diretamente a presidência do Banco Central ou outros integrantes da autarquia.

Alexandre de Moraes divulgou duas notas sobre o episódio. Em ambas, sustenta que os encontros trataram exclusivamente das consequências da aplicação da lei, com foco na manutenção de movimentações bancárias, contas correntes e uso de cartões de crédito e débito.

Estabilidade como escudo institucional

O Sindicato Nacional dos Servidores do Banco Central, por sua vez, adotou um tom mais incisivo. No comunicado, a entidade afirma que o episódio evidencia a importância vital do Regime Jurídico Único (RJU) e da estabilidade funcional dos servidores do Banco Central.

Segundo o texto, essas garantias permitem ao corpo técnico resistir a ingerências e pressões externas, assegurando que decisões sensíveis sejam tomadas com autonomia e fundamentação técnica, em defesa do interesse público.

Embora não cite diretamente Alexandre de Moraes, o sindicato faz referência às recentes manifestações do Tribunal de Contas da União (TCU) e do STF relacionadas à liquidação do Banco Master, reforçando o clima de tensão institucional.

No Supremo, a apuração envolve supostas fraudes que resultaram na prisão de Daniel Vorcaro. Já no TCU, o foco é a decisão do BC de liquidar o banco, descartando alternativas consideradas menos extremas.

Se servidores do Banco Central de fato utilizaram a estabilidade funcional para não ceder a eventuais pressões, fizeram uso legítimo da prerrogativa. Resta agora, segundo a crítica implícita no debate público, esclarecer que tipo de pressão teria sido exercida e em que circunstâncias.

Classificação Indicativa: Livre


TagsStfAlexandre de moraesBanco centralMoraesTcuBanco masterRegime Jurídico Único