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Publicado em 08/10/2026, às 13h46 Foto: Magnific Giovana Gurgel
As exportações do Rio Grande do Norte recuaram 30,5% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, mas o Estado ainda acumula crescimento de 29% nas vendas ao exterior em 2026. Foram US$ 85,7 milhões exportados no mês, enquanto as importações somaram US$ 27,3 milhões, resultando em superávit de US$ 58,4 milhões. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).
A queda veio após um agosto de forte desempenho, quando o RN havia alcançado US$ 132,7 milhões em exportações, alta de 83,6% sobre agosto de 2025. Em setembro do ano passado, as vendas externas chegaram a US$ 123,3 milhões, o que significa que o resultado deste ano ficou US$ 37,6 milhões abaixo do registrado naquele período.
A retração potiguar também contrastou com o cenário nacional. No Brasil, as exportações cresceram 12,9% em setembro e chegaram a US$ 34,42 bilhões. As importações recuaram 2,4%, para US$ 26,68 bilhões, deixando o país com saldo positivo de US$ 7,74 bilhões.
O ouro foi o principal destaque das exportações potiguares em setembro e assumiu a liderança da pauta. As vendas do metal alcançaram US$ 34,4 milhões, equivalentes a 40,2% de tudo o que o Estado comercializou no exterior. O valor representa aumento de 45,8%, ou US$ 10,8 milhões a mais que no mesmo período anterior.
Outro avanço expressivo veio dos minérios concentrados de metais de base. O segmento movimentou US$ 3 milhões, alta de 609,5% na comparação anual.
Por outro lado, os óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os óleos brutos, registraram forte queda. As vendas ficaram em US$ 8,9 milhões, redução de 83,4%, equivalente a US$ 44,8 milhões a menos. O produto respondeu por 10,4% das exportações do Estado.
As frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, também tiveram desempenho negativo. O segmento movimentou US$ 27 milhões, queda de 22,3%, ou US$ 7,7 milhões a menos. Mesmo assim, as frutas representaram 31,5% das vendas externas potiguares.
Apesar do tombo registrado em setembro, o resultado acumulado do ano continua positivo. Entre janeiro e setembro, o RN exportou aproximadamente US$ 1 bilhão, crescimento de 29% em relação ao mesmo período de 2025.
As importações avançaram em ritmo bem menor, com alta de 5,2%, e totalizaram US$ 341,4 milhões. Com isso, o saldo comercial acumulado chegou a US$ 659,4 milhões. Na prática, para cada US$ 1 importado pelo Estado, cerca de US$ 2,93 foram obtidos com exportações.
A indústria de transformação concentrou a maior parcela das vendas externas, com US$ 52,8 milhões em setembro. A agropecuária respondeu por US$ 27,3 milhões e a indústria extrativa, por US$ 4,5 milhões. Os dados divulgados apresentam, contudo, uma divergência na comparação mensal da agropecuária, ao indicar também uma passagem de US$ 9,2 milhões em agosto para US$ 6,7 milhões em setembro.
A oscilação entre os meses está relacionada ao perfil da pauta potiguar. Operações envolvendo petróleo, derivados e ouro podem alterar significativamente os resultados de um mês para outro, enquanto as exportações de frutas acompanham o calendário das safras e a demanda internacional.
O Canadá foi o principal destino das exportações do RN em setembro. O país comprou US$ 30,6 milhões em mercadorias potiguares, o equivalente a 35,7% de todas as vendas externas do Estado. O resultado representou crescimento de 26,5%.
Os Países Baixos apareceram na segunda colocação, com US$ 21,8 milhões e participação de 25,4%. Na sequência veio o Reino Unido, responsável por US$ 9,9 milhões, ou 11,6% do total, embora tenha registrado queda de 17,4%.
A Suíça recebeu US$ 4,7 milhões em produtos potiguares, com participação de 5,4%. O aumento percentual chegou a 87.188%, influenciado pela base reduzida de comparação. Os Estados Unidos completaram os cinco principais destinos, com 4,6% das exportações e crescimento de 203%.
No sentido contrário, a China liderou as compras feitas pelo RN. As importações de produtos chineses somaram US$ 8,4 milhões, correspondentes a 30,9% do total. A Argentina veio em seguida, com US$ 7,8 milhões, ou 28,6%, enquanto a Espanha respondeu por US$ 2,6 milhões, equivalente a 9,5%.
Entre os produtos adquiridos no exterior, trigo e centeio não moídos ficaram na primeira posição, com US$ 5,4 milhões e participação de 19,7%. As compras desses produtos cresceram 39,1%, acréscimo de US$ 1,1 milhão.
O resultado de setembro, portanto, revela uma forte desaceleração no curto prazo, puxada principalmente pela queda nos embarques de combustíveis e frutas. Apesar disso, a entrada de ouro na liderança da pauta e o desempenho acumulado mantêm o comércio exterior potiguar em trajetória positiva em 2026.