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Café dispara mais de 50% nas exportações, petróleo avança e carne bovina despenca em setembro

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As vendas externas de carne bovina caem mais de 30% devido a exigências da União Europeia sobre antimicrobianos e rastreabilidade  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Magnific
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 22/09/2026, às 15h43



As exportações brasileiras registraram movimentos opostos nas duas primeiras semanas de setembro, com forte avanço nos embarques de café verde e petróleo, enquanto as vendas externas de carne bovina recuaram mais de 30%. O café cru, ainda sem torra, teve alta superior a 50%, alcançando 107,9 mil toneladas, enquanto o petróleo cresceu 75,6%, para 5,25 milhões de toneladas. Já a soja avançou 9,2%, mas o milho caiu 16,7%.

A retração da carne bovina ocorre em meio a restrições impostas pela União Europeia (UE), que desde 3 de setembro suspende a entrada de carnes e mel brasileiros devido a exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos, grupo de medicamentos que inclui antibióticos, e à rastreabilidade dos produtos.

O Brasil aguarda uma auditoria da UE para tentar restabelecer plenamente as vendas de carne bovina ao bloco. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina e de frango para os países europeus somaram US$ 1,8 bilhão.

Petróleo ganha força no exterior

Apesar do avanço nos embarques, o cenário internacional do petróleo pode trazer algum alívio para os custos brasileiros. O barril do Brent recuou 3,92% na quinta-feira (17) e terminou o dia cotado a US$ 101,68, no menor valor desde 9 de setembro.

A queda ocorreu após a redução dos ataques no Oriente Médio e pode contribuir para diminuir a pressão sobre os preços dos combustíveis e dos fretes no Brasil. O mercado, porém, permanece sujeito a novas oscilações diante das tensões na região.

O cenário ainda é considerado instável porque o Irã mantém a posição de não iniciar negociações antes que suas exigências sejam atendidas. Qualquer mudança no conflito pode voltar a afetar as cotações internacionais e os custos relacionados ao transporte e à energia.

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China amplia pressão sobre indústria

Enquanto as commodities brasileiras apresentam resultados distintos, a China aumenta os investimentos em setores considerados estratégicos. O presidente Xi Jinping, do Partido Comunista Chinês (PCCh), defendeu o fortalecimento de uma indústria mais avançada e independente, com destaque para inteligência artificial e digitalização.

A estratégia chinesa amplia a capacidade do país de produzir e exportar veículos elétricos e tecnologias verdes. O movimento aumenta a concorrência para a indústria brasileira e intensifica a disputa internacional por cadeias produtivas consideradas estratégicas.

Com isso, o desempenho das exportações brasileiras em setembro combina oportunidades e desafios: enquanto produtos como café e petróleo ganham espaço nos embarques, setores como carne bovina e milho enfrentam retrações diante de barreiras comerciais e mudanças no cenário internacional.

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