Geral
Publicado em 26/06/2026, às 19h30 Pavel Danilyuk/Pexels Jussier Lucas
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a testar, nesta sexta-feira (26), o uso da semaglutida — princípio ativo das chamadas canetas emagrecedoras — em um grupo de pacientes acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no Rio Grande do Sul. A iniciativa integra um projeto-piloto do Ministério da Saúde que pretende avaliar a eficácia, a segurança e o impacto econômico do medicamento no tratamento da obesidade.
Ao todo, 250 pacientes serão acompanhados ao longo de dois anos no estudo batizado de Real-Bari. O grupo é formado por pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças, todas já em acompanhamento na rede pública de saúde. Para participar, é necessário ter diagnóstico há pelo menos 12 meses e histórico de falha em tratamentos convencionais, como dietas estruturadas e atividade física regular.
Leia também:
O protocolo estabelece ainda critérios clínicos e operacionais para o uso da medicação, incluindo a capacidade de autoaplicação ou a presença de cuidador para auxiliar no procedimento. Durante o acompanhamento, serão analisados indicadores como perda de peso, qualidade de vida, evolução de exames laboratoriais, condições pós-cirúrgicas e custos do tratamento dentro do sistema público.
A iniciativa busca entender como medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 podem ser incorporados de forma segura e eficiente à realidade do SUS. Durante o lançamento do projeto, um paciente recebeu a primeira aplicação da semaglutida.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o caráter pioneiro da experiência no Brasil dentro da rede pública. Segundo ele, o estudo pode contribuir para ampliar o conhecimento sobre o uso da tecnologia no tratamento de doenças crônicas, como obesidade e diabetes, além de futuras aplicações terapêuticas.
O projeto foi estruturado pelo GHC em parceria com o Ministério da Saúde, com foco na segurança dos participantes e no acompanhamento contínuo por equipes médicas especializadas. O público selecionado reflete o perfil dos pacientes atendidos pelo hospital, onde a maioria apresenta obesidade em grau elevado.
A pesquisa conta com recursos repassados à instituição por meio da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), a partir de aporte financeiro da empresa fabricante do medicamento.