O secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, afirmou que a governadora Fátima Bezerra pode desistir de renunciar ao cargo antes do fim do mandato caso avalie que não haverá condições políticas para eleger um sucessor em uma eventual eleição indireta na Assembleia Legislativa.
Segundo ele, a permanência da chefe do Executivo seria uma estratégia para impedir que a oposição assuma o comando do governo no último ano da gestão, em meio às eleições gerais.
A declaração foi feita durante entrevista ao Jornal das Seis, da rádio 96 FM, na noite desta terça-feira (3). Para Cadu, entregar o governo ao campo adversário durante o processo eleitoral comprometeria todo o projeto político em curso no Rio Grande do Norte.
De acordo com o secretário, a renúncia só ocorrerá se houver segurança de maioria parlamentar para garantir a continuidade do grupo político no comando do Executivo estadual.
Renúncia condicionada e risco de eleição indireta
Fátima Bezerra tem reiterado, nos últimos meses, a intenção de disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições deste ano. Para viabilizar a candidatura, a legislação exige que ela deixe o cargo até 4 de abril, em cumprimento à regra da desincompatibilização.
O vice-governador Walter Alves, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), seria o sucessor natural até o fim do mandato, mas já comunicou publicamente que não pretende assumir o governo, pois planeja concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa.
Com a eventual saída de ambos, o Estado poderá ser levado a uma eleição indireta no âmbito da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Nesse cenário, os 24 deputados estaduais escolheriam um governador e um vice-governador para exercer um mandato tampão até 5 de janeiro de 2027.
PT defende nome, mas admite alternativa
Para a hipótese de mandato interino, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem defendido o nome de Cadu Xavier. O próprio secretário, no entanto, reconhece que enfrenta resistências entre parlamentares e que a construção política ainda está em curso.
Segundo ele, o diálogo com a Assembleia Legislativa tem sido constante e envolve articulações diretas em nome da governadora. Cadu destacou que mantém boa relação institucional com os deputados estaduais, o que, em sua avaliação, pode contribuir para a viabilização do projeto.
Ainda assim, o secretário admitiu que, se não houver consenso suficiente, o PT pode apresentar outro nome para a eleição indireta, mantendo o compromisso de que o governo permaneça sob a condução do partido.
Permanência no cargo como última alternativa
Ao tratar das possibilidades, Cadu afirmou que a prioridade do grupo é garantir que o Executivo não passe para a oposição durante o período eleitoral. Para ele, essa hipótese é considerada extrema e politicamente inviável.
O secretário reforçou que a decisão final caberá à governadora, que poderá optar por permanecer no cargo até o fim do mandato caso não se forme uma maioria confiável na Assembleia Legislativa.
Nesse contexto, a permanência de Fátima Bezerra no governo passa a ser vista como uma alternativa estratégica, caso as negociações políticas não avancem.
Defesa de mulher na vice e diálogo com aliados
Em outra entrevista concedida no mesmo dia ao Jornal da Cidade, da rádio Cidade, Cadu Xavier defendeu que a chapa governista tenha uma mulher como candidata a vice-governadora. Para ele, a presença feminina fortalece o projeto político liderado por Fátima Bezerra.
Entre os nomes citados pelo secretário estão as ex-deputadas estaduais Larissa Rosado, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), e Márcia Maia, do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Segundo Cadu, ambas possuem trajetória política e capacidade de diálogo com diferentes segmentos do eleitorado.
Ao mencionar Márcia Maia, ele destacou o peso simbólico do sobrenome, associado à memória da ex-governadora Wilma de Faria, figura ainda presente no imaginário político do Estado.
Construção coletiva da chapa
Cadu ressaltou que a definição da chapa não será uma decisão isolada do PT, mas resultado de negociação com partidos aliados do campo progressista.
O diálogo, segundo ele, envolve legendas como o Partido Verde (PV); o Partido Comunista do Brasil (PCdoB); o Partido Socialista Brasileiro (PSB); e o Partido Democrático Trabalhista (PDT), além de outras siglas de centro-esquerda.
Apesar da preferência pessoal por uma mulher na vice, o secretário afirmou que a escolha final será coletiva e levará em conta critérios políticos e eleitorais.
Pré-candidatura confirmada ao Governo do Estado
Ao longo das entrevistas, Cadu Xavier confirmou que seu nome está colocado como pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, tanto no cenário de eleição direta em outubro quanto na possibilidade de um mandato tampão.
Ele afirmou que a pré-candidatura é resultado de um processo de construção política e da experiência acumulada na administração estadual, especialmente em períodos de crise fiscal.
Auditor fiscal de carreira, Cadu destacou seus mais de 20 anos como servidor público para justificar a disposição de assumir o Executivo estadual, afirmando que a motivação não está ligada a ganhos pessoais ou projeção salarial.
Polarização e alinhamento nacional
Ao analisar o cenário eleitoral, o secretário avaliou que a disputa no Rio Grande do Norte tende a refletir a polarização política nacional. Nesse contexto, ele se posicionou de forma clara ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores.
Cadu afirmou que não pretende adotar discursos ambíguos por conveniência eleitoral e criticou estratégias que, segundo ele, tentam agradar campos políticos opostos ao mesmo tempo.
Para o secretário, a definição ideológica será um elemento central da disputa, tanto na eleição estadual quanto no debate nacional que deve marcar o próximo pleito.