Política

Rogério Marinho teria aconselhado Flávio Bolsonaro a reconhecer derrota e ligar para Lula

Foto: Ton Molina/Senado
Senador Rogério Marinho sugere que Flávio Bolsonaro reconheça vitória de Lula, mas candidato opta por contestar resultado das urnas  |   BNews RN - Divulgação Foto: Ton Molina/Senado
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

[email protected]

Publicado em 26/10/2026, às 18h51



O senador potiguar Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, teria aconselhado o candidato derrotado a reconhecer a vitória de  Lula (PT) e telefonar para o presidente reeleito. A orientação, que também teria sido defendida por outros aliados, foi rejeitada por Flávio, que optou por contestar o resultado e anunciar que pediria a anulação da eleição, segundo apuração publicada pela CNN Brasil nesta segunda-feira (26).

A discussão ocorreu em uma residência no Lago Sul, em Brasília, após Lula alcançar matematicamente a reeleição, às 21h08. O pronunciamento de Flávio aconteceu por volta das 22h40, depois de conversas entre integrantes da campanha sobre a postura que o candidato deveria adotar diante da derrota nas urnas.

Além de Marinho, o grupo favorável ao reconhecimento do resultado teria incluído o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a senadora Tereza Cristina (PP), de Mato Grosso do Sul, e a advogada Maria Claudia Bucchianeri. Os participantes discutiram os termos da manifestação pública do candidato do PL.

Estratégia dividiu aliados

A avaliação dos defensores do reconhecimento era de que Flávio poderia preservar sua imagem política ao parabenizar Lula e admitir a derrota, sem abandonar eventuais questionamentos sobre a condução do processo eleitoral. A estratégia buscava evitar que a reação ao resultado fosse interpretada como uma recusa em aceitar a decisão das urnas.

A orientação também previa separar o gesto político de reconhecimento da eleição de possíveis medidas jurídicas posteriores. Dessa forma, a campanha poderia manifestar respeito ao resultado oficial e, paralelamente, apresentar questionamentos sobre decisões da Justiça Eleitoral ou condutas atribuídas à campanha adversária.

Flávio, no entanto, seguiu a linha defendida por aliados favoráveis à contestação imediata. Durante o pronunciamento, afirmou que não reconhecia o resultado e anunciou a intenção de pedir a anulação da eleição. Marinho apareceu ao lado do candidato durante a declaração.

Horário da votação virou argumento

Um dos principais pontos levantados para contestar a eleição foi a extensão do horário de votação em algumas localidades. A decisão, atribuída ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitiu que seções que ainda estavam funcionando continuassem recebendo eleitores até as 19h. As urnas já encerradas não foram reabertas.

As duas campanhas haviam solicitado a ampliação do horário em diferentes regiões do país. A equipe de Lula relatou dificuldades relacionadas ao transporte público, enquanto a de Flávio apontou problemas provocados pelas chuvas em estados do Sul e do Sudeste.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação exigiu ajustes operacionais, mas não comprometeu o resultado da votação. Um levantamento baseado em dados públicos das urnas indicou que os votos registrados após as 17h corresponderam a 0,027% do total contabilizado no segundo turno.

Diferença passou de 4,4 milhões de votos

Lula venceu a disputa presidencial com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%. A diferença entre os dois candidatos foi de 4.430.191 votos.

Apesar do anúncio de que pediria a anulação da eleição, não havia confirmação, até a publicação da apuração mencionada, de que a campanha de Flávio tivesse protocolado uma ação com esse objetivo no TSE.

No RN, estado de origem de Rogério Marinho, Lula obteve 65,72% dos votos válidos, contra 34,28% de Flávio. Além de coordenar a campanha nacional do candidato do PL, Marinho exerce liderança na oposição no Senado, posição que o mantém no centro das articulações políticas após o resultado eleitoral.

Leia também:

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Whatsapp floating

Receba as notificações pelo Whatsapp

Quero me cadastrar Close whatsapp floating