Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 26/10/2026, às 19h00
A reta final de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode se transformar em um período de intensa pressão emocional para os estudantes. A preocupação com o resultado, o medo de não conseguir uma vaga na universidade e as incertezas sobre o futuro estão entre os fatores que podem aumentar a ansiedade dos jovens, prejudicando inclusive o desempenho durante a prova.
Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), apontou que 44,2% dos estudantes brasileiros de 16 e 17 anos relataram sentir irritação, nervosismo ou mau humor com frequência.
Segundo Helington Costa, coordenador do curso de Psicologia da Estácio, a expectativa de ingressar no ensino superior envolve decisões importantes em uma fase da vida marcada por transformações. A possibilidade de mudar de cidade, afastar-se dos amigos e escolher uma profissão pode aumentar a insegurança dos adolescentes.
"Isso é um peso considerável para decidir e imaginar. Num nível moderado, essa expectativa pode ser motivadora. No entanto, em excesso, pode se transformar em angústia, insônia, irritação, dores de estômago, desânimo e até receio de desapontar os pais", explica.
A cobrança por bons resultados, as longas jornadas de estudo, a redução do tempo de descanso e as comparações com outros candidatos podem intensificar o desgaste emocional. As expectativas familiares também contribuem para aumentar a pressão sobre quem está prestes a realizar o exame.
O especialista destaca que o desenvolvimento emocional durante a adolescência ajuda a explicar por que muitos jovens têm dificuldade para lidar com situações de estresse. O cérebro ainda está amadurecendo, especialmente as regiões envolvidas no controle dos impulsos e na tomada de decisões.
"O cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento. O córtex pré-frontal, que é responsável por controlar impulsos e lidar com pressão, completa seu desenvolvimento por volta dos 25 anos. Por outro lado, as áreas que processam emoções como medo e ansiedade são bastante ativas nessa fase. Portanto, o adolescente sente intensamente e ainda está aprendendo a gerenciar essas emoções", esclarece.
A ansiedade em níveis elevados também pode comprometer a concentração e dificultar a recuperação de informações já estudadas. Em situações de estresse intenso, o organismo libera substâncias como cortisol e adrenalina, associadas à resposta de alerta do corpo.
Com a proximidade do Enem, a recomendação é evitar mudanças radicais na rotina e priorizar estratégias que ajudem a manter o equilíbrio físico e emocional. Dormir bem é uma das principais medidas para favorecer a memória e consolidar o aprendizado.
De acordo com Helington Costa, que também atua como neuropsicólogo, o descanso tem papel importante na organização das informações adquiridas durante os estudos. "Aquilo que estuda durante a madrugada e dorme pouco pode comprometer sua memória", adverte.
Em vez de tentar aprender todo o conteúdo novamente nos últimos dias, o especialista recomenda concentrar os esforços nas revisões de assuntos já conhecidos. Manter uma alimentação equilibrada, beber água e evitar o consumo excessivo de cafeína e bebidas energéticas também são medidas importantes.
Priorize as revisões: concentre-se nos conteúdos que já domina e evite sobrecarregar a rotina com assuntos novos.
Durma o suficiente: preserve o descanso para ajudar na memória e na concentração.
Faça pausas: caminhe, alongue-se ou passe um tempo ao ar livre para aliviar a tensão.
Organize tudo com antecedência: confira os documentos necessários, os materiais permitidos, o lanche e o trajeto até o local de prova.
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