Política

Moraes reage ao Congresso e alerta: aliviar penas é convite para novos golpes

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O ministro Alexandre de Moraes afirma que a redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro é um sinal perigoso para a democracia  |   BNews RN - Divulgação © Marcelo Camargo/Agência Brasil
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 17/12/2025, às 13h51



O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que admitir a redução de penas para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 significa “flertar” com novas tentativas de ruptura democrática no Brasil.

A crítica foi direcionada à discussão em curso no Congresso Nacional sobre um projeto que abre brecha para atenuar condenações impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), e a outros réus envolvidos na trama golpista.

Para o ministro, discursos em defesa de flexibilização das punições enviam um sinal perigoso à sociedade e enfraquecem o papel do Judiciário na contenção de ataques às instituições democráticas.

Julgamento e recado institucional

A declaração foi feita nesta terça-feira (16), durante o julgamento da Primeira Turma do STF que condenou, por unanimidade, o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques e outros quatro réus ligados a um dos núcleos da tentativa de golpe.

Moraes se manifestou no momento da definição das dosimetrias das penas, fase em que são estabelecidos o tempo de prisão, multas, perda de cargos públicos e inelegibilidade dos condenados.

Segundo o relator, as penas não têm apenas caráter punitivo, mas também função preventiva, ao deixar claro que novas investidas contra a democracia não serão toleradas.

Advertência sobre novos ataques ao Estado

“Não é possível mais discursos de atenuante em penas, aplicadas após o devido processo legal e a ampla defesa, porque isso seria um recado de que o Brasil tolera ou tolerará novos flertes contra a democracia”, afirmou Moraes durante o julgamento.

O ministro destacou que a fixação rigorosa das penas busca impedir que estruturas do Estado sejam novamente instrumentalizadas para fins golpistas, citando órgãos como o Ministério da Justiça, o Ministério da Defesa, o Gabinete de Segurança Institucional e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Na avaliação de Moraes, houve a atuação de uma organização criminosa com o objetivo de se manter no poder de forma permanente, sustentada por discursos que tentavam legitimar a ruptura institucional.

Condenações e absolvição

Além de Silvinei Vasques, a Primeira Turma do STF condenou Filipe Martins, ex-assessor internacional da Presidência da República; Marcelo Costa Câmara, ex-assessor presidencial; Marília Ferreira, ex-integrante do Ministério da Justiça; e Mário Fernandes, general da reserva e ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência.

Os ministros decidiram, no entanto, absolver Fernando de Souza Oliveira, ex-integrante do Ministério da Justiça, por falta de provas.

No caso de Marília Ferreira, a Turma entendeu que a condenação deve se restringir a parte dos crimes apontados pela acusação, desconsiderando sua participação direta nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Classificação Indicativa: Livre

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