Política
por José Nilton Jr.
Publicado em 12/03/2026, às 15h47
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a realização de busca e apreensão na residência do jornalista maranhense Luis Pablo Conceição Almeida, conhecido como Luis Pablo. A medida ocorreu após a publicação de matérias em que ele denunciava o suposto uso irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) por familiares do ministro Flávio Dino.
A operação foi realizada na última terça-feira (10) e resultou na apreensão de celulares e de um laptop pertencentes ao jornalista. De acordo com a decisão judicial, revelada pela CNN Brasil, existem indícios da prática do crime de perseguição, previsto no artigo 147-A do Código Penal do Brasil, sem prejuízo de outras possíveis infrações relacionadas às publicações feitas em blogs e redes sociais envolvendo um ministro da Corte.
Na decisão, Moraes cita uma sequência de matérias publicadas no blog do jornalista a partir de 20 de novembro. A série começou com um texto intitulado “Veículo financiado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão é entregue a Flávio Dino e utilizado por sua família em São Luís”.
De acordo com o conteúdo publicado, um carro oficial do TJMA estaria sendo utilizado por familiares do ministro para circular em São Luís, capital do Maranhão. Para Moraes, as publicações sugerem que o autor teria utilizado algum tipo de recurso estatal para identificar e caracterizar os veículos citados, o que poderia gerar exposição indevida e colocar em risco a segurança de autoridades.
Na decisão, Moraes também afirmou que as condutas atribuídas ao jornalista teriam ocorrido de maneira semelhante às ações investigadas no chamado Inquérito das Fake News.
Segundo o ministro, os fatos descritos apontariam para práticas que merecem apuração no âmbito da investigação em curso.
Em resposta à CNN, Luis Pablo afirmou que recebeu a decisão com tranquilidade e destacou que atua no jornalismo há muitos anos tratando de temas de interesse público.
Ele declarou que as matérias foram produzidas no exercício da atividade jornalística e manifestou confiança de que, ao longo do processo, ficará demonstrado que seu trabalho está protegido pelas garantias constitucionais da liberdade de imprensa e do sigilo da fonte.
O jornalista acrescentou que não fará novos comentários no momento, em respeito à decisão de Alexandre de Moraes que determinou sigilo sobre a investigação.
Em nota enviada à reportagem, o STF informou que a investigação não teve origem no Inquérito das Fake News. Segundo a Corte, o procedimento foi solicitado pela Polícia Federal do Brasil em 23 de dezembro de 2025 para apurar o crime de perseguição contra um ministro do STF.
O caso foi inicialmente distribuído ao ministro Cristiano Zanin. Em 13 de janeiro de 2026, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à investigação. Posteriormente, em 12 de fevereiro de 2026, a Presidência do STF decidiu redistribuir o processo para o ministro Alexandre de Moraes.
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