Política
por José Nilton Jr.
Publicado em 03/09/2026, às 14h25
O senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou publicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (3), após o chefe do Executivo comentar a votação da proposta que prevê o fim da escala 6x1. Em publicação no perfil oficial na rede social X, o parlamentar acusou Lula de tentar convencer a população de que a redução da jornada de trabalho não provocará impactos para empresas e trabalhadores.
A reação ocorreu após Lula afirmar que a discussão da proposta no Senado teria exposto as posições de parlamentares favoráveis e contrários à mudança. O presidente apontou Rogério Marinho como um dos líderes da oposição à medida e afirmou que houve tentativa de impedir o avanço da proposta.
Na quarta-feira (2), a PEC que prevê o fim da escala 6x1 avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Dos 27 senadores presentes, quatro registraram posição contrária, entre eles Rogério Marinho. A votação ocorreu de forma simbólica.
Em resposta às declarações do presidente, Rogério Marinho adotou tom duro e afirmou que Lula estaria agindo de "má-fé". O senador também questionou os possíveis efeitos econômicos da redução da jornada sem diminuição dos salários.
"Lula, ou você é burro ou mal-intencionado. Como você engana a população há mais de 40 anos, sei que burro não é", escreveu o parlamentar.
Marinho afirmou ainda que a mudança poderia provocar aumento de preços, fechamento de empresas, crescimento do desemprego e avanço da informalidade. Segundo ele, os possíveis impactos da medida acabariam recaindo sobre os próprios trabalhadores.
Lula, por outro lado, defendeu a proposta e afirmou que a população precisa saber quais parlamentares apoiam e quais se opõem à mudança. O presidente argumentou que críticas semelhantes já foram feitas no passado durante a aprovação de direitos trabalhistas, como férias e 13º salário.
Segundo Lula, o desgaste provocado pela atual organização do trabalho também envolve a saúde mental e a falta de tempo para convivência familiar. O presidente afirmou que a mudança busca atender trabalhadores que cumprem seis dias de jornada e utilizam o único dia de folga para realizar tarefas domésticas.
A proposta segue agora para discussão no Plenário do Senado. O relatório apresentado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM) prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, além de dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução salarial.
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