Polícia

Relatório do STF expõe tentativa de Vorcaro de agir nos bastidores antes de operação da PF

Divulgação/Banco Master
Daniel Vorcaro buscou influenciar a PF e a PGR antes de operação policial, segundo relatório do STF  |   BNews RN - Divulgação Divulgação/Banco Master
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 17/06/2026, às 13h51



O ex-banqueiro Daniel Vorcaro tentou estabelecer contato com os chefes da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) pouco antes de ser alvo de uma operação policial. A informação consta em relatório preliminar divulgado nesta terça-feira (16) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O documento aponta que Vorcaro teve acesso antecipado a informações sobre o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master e buscou influenciar agentes públicos para evitar medidas contra ele.

De acordo com a apuração, o ex-banqueiro foi alertado por pessoas ligadas ao Banco Central sobre a pressão exercida pela PF e pelo Ministério Público contra a instituição financeira antes da deflagração da Operação Compliance Zero. As informações teriam sido compartilhadas por contatos internos que demonstraram preocupação com o andamento das investigações.

O relatório também indica que Vorcaro mantinha, desde julho de 2025, um acompanhamento sistemático de procedimentos que poderiam atingir as fraudes investigadas no Banco Master. Segundo os investigadores, ele chegou a obter acesso à Notícia de Fato que deu origem à Operação Compliance Zero, utilizando as informações para monitorar autoridades envolvidas no caso.

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Conversas e informações 

Entre os materiais analisados pela investigação estavam anotações encontradas no celular do ex-banqueiro. Em uma delas, registrada antes de sua primeira prisão, ocorrida em novembro de 2025, Vorcaro pede a um interlocutor não identificado que reforçasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que subordinados das instituições não realizassem ações que pudessem comprometer sua situação.

A investigação sustenta que a influência exercida por Vorcaro alcançou integrantes do Banco Central. Conforme o relatório, ele tomou conhecimento de uma reunião sigilosa realizada entre representantes da PF e do Banco Central para discutir as apurações envolvendo o Banco Master.

Quatro dias após o encontro, o ex-banqueiro registrou os nomes dos policiais federais presentes na reunião e de três procuradores da República que sequer participaram do encontro. Posteriormente, ele teria planejado uma viagem para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de encontrar o interlocutor responsável por repassar as informações reservadas.

Vazamento de informações

Outro ponto destacado pela PF é que Vorcaro possuía informações detalhadas sobre a tramitação do processo judicial. Segundo o relatório, ele sabia previamente qual vara seria responsável pelo caso e conhecia a identidade do magistrado encarregado de analisar o pedido de medidas cautelares.

Ao ser questionado pela delegada Janaína Palazzo sobre a origem desses dados, Vorcaro afirmou que tomou conhecimento das informações após publicações na imprensa. A versão, entretanto, é contestada pelos investigadores.

De acordo com a Polícia Federal, mensagens obtidas durante a investigação indicam que foi o próprio ex-banqueiro quem repassou as informações ao jornalista responsável pela publicação. Capturas de tela anexadas à petição mostram ainda transferências de dinheiro feitas por Vorcaro ao profissional de imprensa para a divulgação de conteúdos considerados de seu interesse.

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