Política

Silêncio no Congresso: Motta e Alcolumbre travam investigações sobre o caso Banco Master

FOTO: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
O caso Banco Master se torna uma 'batata quente' entre colegiados, com resistência à prorrogação da CPMI do INSS.  |   BNews RN - Divulgação FOTO: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

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Publicado em 15/03/2026, às 17h39



O Congresso Nacional enfrenta uma 'paralisia seletiva', com os presidentes da Câmara e do Senado evitando avançar na criação de CPIs para investigar fraudes no Banco Master, devido ao temor de que o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, faça delações comprometedores.

A pressão por investigações é alta, mas há barreiras institucionais, como pedidos de CPI que aguardam autorização e a resistência do presidente do Congresso em ler requerimentos em sessão conjunta.

Enquanto isso, o caso do Banco Master circula em outras comissões, como a CPMI do INSS, mas a falta de uma CPI específica e o receio de delações que podem afetar diversos partidos mantêm as investigações estagnadas.

Resumo gerado por IA

Congresso Nacional vive um momento de "paralisia seletiva". Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), têm evitado sinalizar qualquer avanço na criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) ou Mistas (CPMI) para investigar as fraudes no Banco Master. O motivo, segundo fontes nos bastidores, não é técnico, mas político: o medo de que o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, decida abrir o bico.

Com a prisão de Vorcaro mantida pelo STF e a possibilidade de uma delação premiada no horizonte, o clima entre parlamentares do Centrão é de apreensão. As mensagens extraídas do celular do banqueiro, que já chegaram a mencionar encontros com políticos de alto escalão e integrantes do Judiciário, funcionam como uma "bomba-relógio" pronta para explodir caso uma investigação formal seja instalada.

O jogo de empurra

A pressão pela investigação é intensa, mas encontra barreiras institucionais:

No Senado: pedidos de CPI apresentados por Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB) aguardam o sinal verde da presidência da Casa.

No Congresso: o deputado Carlos Jordy (PL) apresentou o requerimento para uma CPMI (composta por deputados e senadores). Nela, não há necessidade de autorização prévia para criação, desde que o presidente do Congresso (Alcolumbre) leia o pedido em sessão conjunta — algo que ele tem evitado fazer.

Na Justiça: o ministro Cristiano Zanin (STF) negou um mandado de segurança recente, argumentando que não há prova clara de "omissão ilegal" de Hugo Motta, já que o pedido de CPI é recente.

Duelo de narrativas

Sem uma CPI própria, o caso Banco Master virou uma "batata quente" circulando por outros colegiados. O caso apareceu na CPMI do INSS, que tenta acessar dados sigilosos na sala-cofre do Congresso. O senador Carlos Viana, presidente da CPMI, luta para prorrogar o prazo do colegiado (que vence em 28 de março), mas enfrenta resistência da cúpula do Senado. Até a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) foi envolvida no debate.

A estratégia da oposição é tentar assumir o protagonismo da investigação, mas internamente, até parlamentares oposicionistas admitem que poucos querem estar na "linha de tiro" de uma delação que pode atingir transversalmente diversos partidos e ministros. O fato é que, por enquanto, o destino das investigações sobre o Banco Master permanece sob uma chave trancada nos gabinetes de Motta e Alcolumbre.

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