Política
O Congresso Nacional enfrenta uma 'paralisia seletiva', com os presidentes da Câmara e do Senado evitando avançar na criação de CPIs para investigar fraudes no Banco Master, devido ao temor de que o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, faça delações comprometedores.
A pressão por investigações é alta, mas há barreiras institucionais, como pedidos de CPI que aguardam autorização e a resistência do presidente do Congresso em ler requerimentos em sessão conjunta.
Enquanto isso, o caso do Banco Master circula em outras comissões, como a CPMI do INSS, mas a falta de uma CPI específica e o receio de delações que podem afetar diversos partidos mantêm as investigações estagnadas.
Congresso Nacional vive um momento de "paralisia seletiva". Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), têm evitado sinalizar qualquer avanço na criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) ou Mistas (CPMI) para investigar as fraudes no Banco Master. O motivo, segundo fontes nos bastidores, não é técnico, mas político: o medo de que o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, decida abrir o bico.
Com a prisão de Vorcaro mantida pelo STF e a possibilidade de uma delação premiada no horizonte, o clima entre parlamentares do Centrão é de apreensão. As mensagens extraídas do celular do banqueiro, que já chegaram a mencionar encontros com políticos de alto escalão e integrantes do Judiciário, funcionam como uma "bomba-relógio" pronta para explodir caso uma investigação formal seja instalada.
A pressão pela investigação é intensa, mas encontra barreiras institucionais:
No Senado: pedidos de CPI apresentados por Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB) aguardam o sinal verde da presidência da Casa.
No Congresso: o deputado Carlos Jordy (PL) apresentou o requerimento para uma CPMI (composta por deputados e senadores). Nela, não há necessidade de autorização prévia para criação, desde que o presidente do Congresso (Alcolumbre) leia o pedido em sessão conjunta — algo que ele tem evitado fazer.
Na Justiça: o ministro Cristiano Zanin (STF) negou um mandado de segurança recente, argumentando que não há prova clara de "omissão ilegal" de Hugo Motta, já que o pedido de CPI é recente.
Sem uma CPI própria, o caso Banco Master virou uma "batata quente" circulando por outros colegiados. O caso apareceu na CPMI do INSS, que tenta acessar dados sigilosos na sala-cofre do Congresso. O senador Carlos Viana, presidente da CPMI, luta para prorrogar o prazo do colegiado (que vence em 28 de março), mas enfrenta resistência da cúpula do Senado. Até a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) foi envolvida no debate.
A estratégia da oposição é tentar assumir o protagonismo da investigação, mas internamente, até parlamentares oposicionistas admitem que poucos querem estar na "linha de tiro" de uma delação que pode atingir transversalmente diversos partidos e ministros. O fato é que, por enquanto, o destino das investigações sobre o Banco Master permanece sob uma chave trancada nos gabinetes de Motta e Alcolumbre.
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