Política

Mendonça dispara contra Banco Master e fala em “máfia financeira” durante julgamento no STF

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André Mendonça destaca indícios de fraude no Banco Master durante julgamento no STF, com características de organizações mafiosas  |   BNews RN - Divulgação © Carlos Moura/SCO/STF
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 17/06/2026, às 13h42



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmou nesta terça-feira (16) que as investigações envolvendo o Banco Master revelam indícios da maior fraude financeira já registrada no país, com características que, segundo ele, se assemelham à atuação de organizações mafiosas. A declaração foi feita durante julgamento da Segunda Turma do Supremo, que manteve, por três votos a um, as prisões de familiares ligados ao fundador da instituição, Daniel Vorcaro.

A maioria do colegiado acompanhou o voto do relator. Os ministros Luiz Fux e Kássio Nunes Marques seguiram o entendimento de Mendonça, enquanto o ministro Gilmar Mendes divergiu e defendeu a revogação das prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do empresário, respectivamente.

Durante a sessão, Gilmar Mendes criticou as medidas cautelares adotadas no caso e sustentou que as prisões teriam sido fundamentadas de forma genérica, servindo para pressionar uma eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro.

Relator 

Ao responder às críticas, André Mendonça declarou que jamais utilizaria a prisão como instrumento para obtenção de delações. Segundo o ministro, a hipótese seria incompatível com a atuação de um magistrado e não encontra respaldo nos autos da investigação.

O relator argumentou que as ordens de prisão foram embasadas em provas reunidas pela Polícia Federal (PF), indicando a existência de pagamentos e orientações destinadas à perseguição de testemunhas e adversários relacionados ao caso.

Mendonça também rejeitou a possibilidade de substituição das prisões por medidas domiciliares. Para ele, o acesso a celulares e à internet permitiria a continuidade das atividades investigadas. O ministro afirmou que integrantes do grupo assumiam funções semelhantes à medida que outros eram afastados pelas autoridades.

Suspeitas de intimidação

Segundo o relator, Henrique Vorcaro não foi preso apenas por sua relação familiar com Daniel Vorcaro. De acordo com o ministro, ele teria participado de encontros com Luiz Phillip Mourão, conhecido como Sicário e apontado pelas investigações como executor do grupo, para negociar o silenciamento de testemunhas e monitorar pessoas consideradas adversárias do Banco Master.

Ao abordar a morte de Mourão, ocorrida em uma cela da Superintendência da PF em Belo Horizonte, Mendonça afirmou que inicialmente teve dúvidas sobre a hipótese de suicídio. No entanto, disse ter sido convencido pelos laudos produzidos pela corporação, descartando indícios de eliminação de testemunha.

O ministro também rebateu comparações feitas por Gilmar Mendes entre a Operação Compliance Zero e a Operação Lava Jato. Segundo ele, as provas reunidas apontam para a participação de bicheiros, milicianos e outros agentes que teriam atuado em favor de Daniel Vorcaro, incluindo o uso de ameaças e armamentos.

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Dinheiro no exterior 

Durante o julgamento, Mendonça afirmou que Felipe Vorcaro seria responsável por movimentações financeiras atribuídas a Daniel Vorcaro no exterior, além do repasse de recursos para pessoas físicas e jurídicas. Na avaliação do relator, foi estruturado um mecanismo destinado a ocultar valores sob investigação.

O ministro declarou que as explicações apresentadas pela defesa não seriam suficientes para justificar o volume das movimentações financeiras identificadas ao longo das apurações. Mendonça informou ainda que determinou a quebra do sigilo dos celulares pertencentes a Luiz Phillip Mourão. Segundo ele, a medida busca esclarecer circunstâncias relacionadas aos últimos dias de vida do investigado.

Operação 

As investigações integram a Operação Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A primeira etapa teve como alvo executivos ligados ao Banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central.

O processo chegou ao Supremo Tribunal Federal em dezembro de 2025. Inicialmente conduzido pelo ministro Dias Toffoli, o caso passou para a relatoria de André Mendonça em fevereiro de 2026. Daniel Vorcaro voltou a ser preso em março e permanece detido na Superintendência da PF em Brasília, enquanto aguarda análise de sua proposta de delação premiada.

Até o momento, a Operação Compliance Zero já contabiliza oito fases. As ações resultaram em prisões, bloqueios bilionários de recursos, apreensão de bens de luxo, investigações sobre supostos pagamentos de propina, vazamento de informações sigilosas e apurações envolvendo empresários, ex-gestores públicos, parlamentares e autoridades ligadas ao sistema financeiro.

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