Polícia
Uma operação da Polícia Federal resultou na apreensão de 150 quilos de cocaína escondidos no casco de um navio no Porto de Santos, que tinha como destino a Holanda, evidenciando a utilização desse método sofisticado pelo tráfico internacional.
O Porto de Santos é identificado como o principal corredor de exportação de cocaína do Brasil, com quase metade das apreensões do país ocorrendo nessa localidade, onde a logística e o volume de contêineres favorecem a infiltração do crime organizado.
A Polícia Federal abrirá um inquérito para investigar a instalação da droga, possíveis envolvimentos de trabalhadores portuários e a célula do PCC responsável, visando desmantelar a rede criminosa que opera na rota marítima para a Europa.
Uma operação subaquática da Polícia Federal revelou mais uma engrenagem do tráfico internacional que opera a partir do Porto de Santos, no litoral paulista.
Mergulhadores localizaram aproximadamente 150 quilos de cocaína escondidos em um compartimento submerso no casco de um navio que tinha como destino a Holanda.
A droga foi encontrada durante uma inspeção de rotina realizada no sábado (24), em uma ação conjunta com a Marinha do Brasil e a Guarda Portuária.
A apreensão reforça um padrão já conhecido pelas autoridades: o uso do casco das embarcações cargueiras como esconderijo para enviar entorpecentes da América do Sul para a Europa e a África.
Segundo a Polícia Federal, será instaurado inquérito para identificar os responsáveis e detalhar a logística do crime, atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que domina parte significativa dessa rota marítima.
Como funciona a técnica usada pelos traficantes
A estratégia adotada pelos criminosos é considerada sofisticada e de difícil detecção. A droga é acondicionada em compartimentos adaptados na parte submersa do navio, muitas vezes fixada com ímãs ou estruturas metálicas que só podem ser acessadas por mergulhadores treinados.
Principais características do método:
- Droga fixada abaixo da linha d’água, fora do campo de visão externo
- Uso de mergulhadores especializados para instalar e retirar os pacotes
- Escolha de navios cargueiros internacionais com longas rotas marítimas
- Retirada da droga apenas no destino final, longe da fiscalização brasileira
Essa técnica permite que a carga ilícita viaje sem que a tripulação tenha conhecimento e dificulta a identificação durante inspeções convencionais.
Porto de Santos: a principal rota da cocaína brasileira para a Europa
O Porto de Santos é apontado por investigações federais como o principal corredor de exportação de cocaína do Brasil. A estrutura portuária, o grande volume diário de contêineres e a intensa movimentação internacional criam um ambiente propício para a infiltração do tráfico.
Levantamentos oficiais indicam que quase metade de toda a cocaína apreendida no país nos últimos anos foi interceptada em Santos.
Dados da Receita Federal reforçam essa dimensão.
Apreensões de cocaína no Porto de Santos (2019–2023):
- Total apreendido: 87,7 toneladas
- Destinos mais frequentes:
- Itália
- França
- Bélgica
- Suécia
- Nigéria
- Marrocos
A Holanda, destino do navio onde a droga foi encontrada, é um dos principais pontos de entrada da cocaína sul-americana na Europa, especialmente pelos portos de Roterdã e Antuérpia, considerados hubs logísticos do tráfico internacional.
Disputa entre facções pelo controle da rota marítima
Desde o início dos anos 2000, o PCC passou a disputar e, em muitos trechos, consolidar o controle da rota marítima da cocaína que sai do Brasil. O domínio do Porto de Santos tornou-se estratégico para a organização criminosa, tanto pela logística quanto pelo potencial de lucro.
Investigações apontam que a facção mantém uma rede de contatos envolvendo:
- Trabalhadores portuários cooptados
- Operadores logísticos
- Intermediários internacionais
- Mergulhadores especializados
Esse ecossistema criminoso permite que a droga seja inserida nas embarcações sem levantar suspeitas imediatas.
O que a PF vai investigar agora
A Polícia Federal informou que abrirá inquérito para apurar:
- Quem instalou a droga no casco da embarcação
- Se houve participação de trabalhadores do porto
- Qual célula do PCC é responsável pela operação
- Para quem a carga seria entregue na Europa
A investigação também buscará identificar conexões internacionais, já que a retirada da droga costuma ocorrer apenas no país de destino, com apoio de redes criminosas locais.
Por que esse tipo de apreensão é considerado estratégico
A descoberta da droga ainda no Brasil impede que a carga chegue ao mercado europeu, onde o valor da cocaína pode ser até cinco vezes maior do que na origem. Além do prejuízo financeiro para a facção, a apreensão fornece pistas valiosas sobre a logística e os métodos utilizados.
Especialistas em segurança pública apontam que esse tipo de flagrante é raro justamente pela complexidade da técnica utilizada e pela necessidade de equipes de mergulho altamente treinadas.
Relembre: Santos concentra as maiores apreensões do país
O histórico recente mostra que o porto paulista se transformou no principal foco das ações federais contra o tráfico internacional marítimo. Em diferentes operações, já foram encontrados carregamentos escondidos em contêineres, cargas lícitas e, cada vez mais, no casco das embarcações.
A apreensão dos 150 quilos reforça o alerta das autoridades sobre a sofisticação crescente do crime organizado e a importância do monitoramento subaquático nas fiscalizações portuárias.
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