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O Rio Grande do Norte exportou US$ 920,13 milhões (aproximadamente R$ 4,71 bilhões) entre janeiro e agosto de 2026, um crescimento de 44,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Desse total, US$ 482,69 milhões (R$ 2,47 bilhões) vieram de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, enquanto o ouro respondeu por US$ 210,80 milhões (R$ 1,08 bilhão). Juntos, os dois produtos representaram cerca de 75% das vendas externas do Estado no período.
A fruticultura, tradicionalmente associada à imagem do RN no mercado internacional, também aparece com força. Melões, melancias e mamões frescos somaram US$ 116,36 milhões (R$ 595,31 milhões) nos oito primeiros meses do ano. O valor, porém, ficou abaixo do registrado apenas pelo ouro e muito distante do obtido com petróleo e derivados.
O principal produto exportado pelo RN em 2026 foi o grupo formado por óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos. As vendas chegaram a US$ 482,69 milhões (R$ 2,47 bilhões) entre janeiro e agosto.
O valor corresponde a mais da metade de toda a receita obtida pelo Estado com exportações no período. Na prática, a cada US$ 100 vendidos pelo Rio Grande do Norte ao exterior, aproximadamente US$ 52 vieram desse segmento.
O peso dos combustíveis também aparece nos números mensais. Em agosto, o fuel oil, ou óleo combustível, respondeu por US$ 31,26 milhões (R$ 159,93 milhões) das vendas externas. O óleo diesel acrescentou US$ 15,59 milhões (R$ 79,76 milhões), enquanto as naftas destinadas à indústria petroquímica movimentaram US$ 3,56 milhões (R$ 18,21 milhões).
O segundo grande destaque da pauta é o ouro. De janeiro a agosto, o produto gerou US$ 210,80 milhões (R$ 1,08 bilhão) em exportações.
O crescimento da mineração ajuda a explicar a mudança no perfil das vendas externas do RN. Além do ouro, os minérios de tungstênio e seus concentrados movimentaram US$ 12,60 milhões (R$ 64,46 milhões) no período.
O Canadá aparece entre os principais compradores dos produtos potiguares. As vendas para o país chegaram a US$ 159,58 milhões (R$ 816,43 milhões) até agosto.
Outro indicador da expansão da mineração é a posição ocupada pelo ouro na pauta. Somente esse produto gerou quase US$ 211 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 1,08 bilhão.
Apesar do avanço da mineração e dos combustíveis, os alimentos continuam tendo presença significativa nas exportações do RN.
Melões, melancias e mamões frescos totalizaram US$ 116,36 milhões (R$ 595,31 milhões) entre janeiro e agosto. O grupo ocupa a terceira posição entre os principais produtos exportados pelo Estado.
A força da fruticultura está concentrada principalmente no Oeste potiguar, região marcada pela produção irrigada e pela presença de empresas voltadas ao mercado internacional.
No primeiro semestre, por exemplo, os melões haviam gerado aproximadamente US$ 51,3 milhões (R$ 262,46 milhões), enquanto as melancias responderam por US$ 39,2 milhões (R$ 200,55 milhões) e os mamões por US$ 14,7 milhões (R$ 75,21 milhões).
A soma desses três produtos já ultrapassava US$ 105 milhões (cerca de R$ 538,21 milhões) na primeira metade do ano.
Quando a comparação é feita entre os grandes grupos, a diferença fica evidente.
O ouro sozinho movimentou US$ 210,80 milhões (R$ 1,08 bilhão). Isso significa que as exportações de ouro foram cerca de 81% maiores que as vendas externas de melões, melancias e mamões somadas, que alcançaram US$ 116,36 milhões.
Se o petróleo e seus derivados entram na conta, a distância aumenta ainda mais.
Os US$ 482,69 milhões (R$ 2,47 bilhões) obtidos com óleos de petróleo representam mais de quatro vezes o valor alcançado pelas três principais frutas exportadas pelo Estado.
É importante, porém, fazer uma ressalva: essa comparação considera os principais produtos individualizados da pauta. Uma comparação rigorosa entre todos os alimentos e todos os minerais exigiria agrupar cada mercadoria da base de comércio exterior de acordo com sua classificação econômica.
A pauta de alimentos do RN não é formada apenas pela fruticultura. O Estado também exporta pescados, castanha de caju, açúcar, produtos de origem animal e outros itens alimentícios.
Os pescados, por exemplo, continuam presentes na relação comercial com os Estados Unidos. Entre janeiro e julho, as vendas de pescados e crustáceos para o mercado norte-americano movimentaram cerca de US$ 5,9 milhões (R$ 30,18 milhões).
Já a fruticultura possui uma característica importante: além de representar receita em dólares, mantém uma cadeia produtiva que envolve produção agrícola, irrigação, embalagem, transporte, logística e distribuição.
Por isso, o peso econômico de um produto não pode ser medido apenas pelo valor registrado na balança comercial.
Os números de agosto também mostram como a composição das exportações potiguares está mudando.
O fuel oil liderou as vendas do mês, com US$ 31,26 milhões (R$ 159,93 milhões). Na sequência apareceram o ouro, com US$ 25,01 milhões (R$ 127,95 milhões), e o óleo diesel, com US$ 15,59 milhões (R$ 79,76 milhões).
As naftas para a indústria petroquímica acrescentaram US$ 3,56 milhões (R$ 18,21 milhões).
O melão fresco, principal representante da fruticultura no ranking mensal, registrou US$ 2,91 milhões (R$ 14,89 milhões). A participação menor está relacionada ao período de encerramento da safra.
No mês, ouro, óleo diesel e naftas responderam juntos por 44,2% das exportações, segundo dados da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A mudança não significa que a fruticultura esteja perdendo importância. O que os números indicam é que outras atividades passaram a gerar valores muito elevados no comércio exterior.
Além dos produtos já citados, o RN exportou US$ 13,75 milhões (R$ 70,35 milhões) em tecidos de algodão, US$ 12,99 milhões (R$ 66,46 milhões) em sal marinho e cloreto de sódio, além de US$ 6,37 milhões (R$ 32,59 milhões) em chapas e películas de plástico.
Também houve diversificação dos mercados compradores. O Panamá foi responsável por US$ 347,22 milhões (R$ 1,78 bilhão) em compras de produtos potiguares até agosto, enquanto o Canadá importou US$ 159,58 milhões (R$ 816,43 milhões).
Entre outros compradores aparecem Holanda, com US$ 74,50 milhões (R$ 381,15 milhões); República Dominicana, com US$ 54,64 milhões (R$ 279,54 milhões); Suíça, com US$ 54,28 milhões (R$ 277,70 milhões); Estados Unidos, com US$ 39,17 milhões (R$ 200,40 milhões); Peru, com US$ 33,47 milhões (R$ 171,24 milhões); Reino Unido, com US$ 30,97 milhões (R$ 158,45 milhões); e Espanha, com US$ 30,02 milhões (R$ 153,59 milhões).
A resposta à pergunta central da reportagem depende do critério utilizado.
Em valor exportado, mineração e energia estão à frente dos alimentos. Apenas petróleo e ouro somaram US$ 693,49 milhões (aproximadamente R$ 3,55 bilhões) entre janeiro e agosto. Já melões, melancias e mamões chegaram a US$ 116,36 milhões.
Mas a importância econômica dos alimentos não desaparece por causa dessa diferença.
A fruticultura possui uma cadeia produtiva extensa e consolidada, especialmente no Oeste potiguar. As exportações de frutas também ajudam a inserir empresas locais em mercados internacionais e movimentam atividades que vão muito além da propriedade rural.
A mineração e a energia, por outro lado, apresentam produtos com valores unitários elevados, capazes de gerar grandes receitas de exportação com volumes financeiros concentrados em poucos itens.
| Produto/grupo | Exportações | Valor aproximado em reais |
|---|---|---|
| Óleos de petróleo e minerais betuminosos | US$ 482,69 milhões | R$ 2,47 bilhões |
| Ouro | US$ 210,80 milhões | R$ 1,08 bilhão |
| Melões, melancias e mamões | US$ 116,36 milhões | R$ 595,31 milhões |
| Tecidos de algodão | US$ 13,75 milhões | R$ 70,35 milhões |
| Sal marinho e cloreto de sódio | US$ 12,99 milhões | R$ 66,46 milhões |
| Minérios de tungstênio | US$ 12,60 milhões | R$ 64,46 milhões |
| Chapas e películas de plástico | US$ 6,37 milhões | R$ 32,59 milhões |
| Total exportado pelo RN | US$ 920,13 milhões | R$ 4,71 bilhões |
Os valores acima correspondem ao acumulado de janeiro a agosto de 2026, conforme dados divulgados a partir do Comex Stat. As conversões para reais foram calculadas pela taxa de R$ 5,1161 por dólar, cotação de venda do Banco Central em 22 de setembro de 2026.
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Os números disponíveis até agosto de 2026 deixam uma resposta clara quando o critério é valor financeiro das exportações: mineração e energia têm peso maior na pauta potiguar do que os alimentos.
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