Negócios
Melão, castanha de caju, camarão e sal marinho. Quem conhece o Rio Grande do Norte sabe o peso destes produtos para a balança comercial do estado. Mas, em 2026, um novo protagonista passou a dominar as exportações potiguares — e ele vem do subsolo.
Estamos falando do bulhão dourado, nome dado à forma bruta do ouro, que disparou em produção e vem batendo recordes. A expectativa é chegar a 90 toneladas até o fim do ano, segundo o setor de mineração.
Apenas entre janeiro e abril deste ano, com uma produção de 45 toneladas, o RN exportou US$ 113,5 milhões de ouro em sua forma mais bruta, consolidando o metal como líder absoluto nas vendas internacionais.
O dado chama atenção principalmente quando comparado ao desempenho de todo o ano de 2025. Nos 12 meses do ano passado, o estado exportou US$ 91,2 milhões em ouro — ou seja, em apenas quatro meses de 2026, o volume financeiro já supera em mais de US$ 22 milhões tudo o que foi registrado ao longo do ano anterior.
Em moeda nacional, o valor exportado neste primeiro quadrimestre equivale a cerca de R$ 569 milhões, segundo cotação do Banco Central, reforçando o ritmo acelerado de crescimento da mineração no estado.
O bulhão dourado (do francês bullion doré) é o ouro em sua forma bruta ou semirrefinada logo após a extração primária, geralmente fundido em barras. Com teor de pureza que costuma variar entre 80% e 90%, ele ainda precisa passar por processos industriais de refinamento antes de ser comercializado como ouro puro.
Para explicar o avanço do setor de minérios no estado, o BNews RN ouviu o empresário Mário Tavares de Oliveira Cavalcanti Neto. Ele é presidente do Sindicato da Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos do Rio Grande do Norte, o SINDIMINERAIS-RN.
Segundo ele, "o crescimento é impulsionado principalmente pela entrada da mineradora canadense Aura Minerals, que passou a produzir ouro em grande escala no estado, além do retorno da exploração de tungstênio".
A tendência, ainda de acordo com o empresário, é de expansão ainda maior.
"A produção de ouro está apenas no início e pode até dobrar ainda este ano. Já o tungstênio também apresenta forte potencial, com mais de 600 ocorrências identificadas e diversas empresas realizando estudos".
Atualmente, apenas a mineradora canadense opera com produção de ouro em larga escala no estado, com atividades concentradas em Currais Novos.
"O setor mineral emprega cerca de 2 mil trabalhadores no Rio Grande do Norte, número que pode dobrar com a entrada de novos empreendimentos, como o da empresa Fomento", revelou Mário.
O presidente do SINDIMINERAIS-RN ainda reforçou que o crescimento do setor também é impulsionado por incentivos como o PROEDI, o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio Grande do Norte, que é voltado ao fortalecimento da indústria no estado.
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