Negócios
por José Nilton Jr.
Publicado em 30/09/2026, às 14h11
O mercado imobiliário de Natal chega ao último trimestre de 2026 em um cenário de retomada, após anos marcados pelo baixo volume de lançamentos. Com vendas em alta e novos empreendimentos voltando ao mercado, o setor acompanha agora os efeitos dos juros, das condições de crédito e do ambiente econômico após as eleições, fatores considerados importantes para a continuidade dos investimentos.
Nos 12 meses encerrados em junho deste ano, Natal comercializou 1.720 unidades residenciais verticais, crescimento de 78% em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são de levantamento da Brain Inteligência de Mercado, encomendado pelo Sinduscon-RN e pelo Sebrae-RN. No mesmo intervalo, foram lançadas 1.596 unidades, alta de 34%.
O avanço também aparece no desempenho financeiro. O Valor Geral de Vendas (VGV) dos imóveis verticais alcançou R$ 931 milhões, contra R$ 671 milhões no período anterior, aumento de 22%. Já o preço médio do metro quadrado passou de R$ 8.353 para R$ 9.780, valorização de 17% em um ano.
Apesar da valorização, a capital potiguar ainda apresenta preço médio do metro quadrado abaixo dos valores registrados em outras capitais nordestinas analisadas pela Brain. No segundo trimestre, o preço médio foi de R$ 9.780 em Natal, enquanto João Pessoa registrou R$ 13.915, Fortaleza R$ 11.977, Salvador R$ 11.492 e Recife R$ 11.240.
O custo do financiamento, no entanto, continua entre os principais fatores capazes de limitar a expansão do setor. Uma eventual continuidade da redução dos juros poderia colocar novamente no mercado consumidores que hoje aguardam condições mais favoráveis para financiar um imóvel.
Os indicadores nacionais mostram que o movimento de recuperação também ocorre em outras regiões. No primeiro semestre de 2026, as vendas de imóveis residenciais novos no país cresceram 5,4%, chegando a 226.536 unidades, segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborados pela Brain.
Outro componente importante para o setor é o Minha Casa, Minha Vida. De acordo com a CBIC, o programa respondeu por 60% dos lançamentos no Nordeste durante o segundo trimestre e por 58% dos lançamentos residenciais em todo o país.
Em 2026, o programa passou a atender famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, incluindo a chamada faixa de classe média. Nessa modalidade, podem ser financiados imóveis de até R$ 600 mil.
O período eleitoral também entra no radar do setor, embora, segundo especialistas, o impacto seja diferente entre quem compra para morar e quem investe no mercado imobiliário. De acordo com especialistas, o comprador residencial tende a manter seus planos, enquanto investidores podem aguardar uma definição maior do cenário econômico antes de tomar decisões.
Para Natal, outro desafio está relacionado à infraestrutura urbana. Projetos de urbanização, intervenções na orla e a expectativa em torno do Parque Linear são apontados pelo empresário como fatores que podem influenciar a ocupação e a valorização de determinadas regiões da capital.
A lógica é que a expansão imobiliária precisa acompanhar o desenvolvimento da própria cidade. A atratividade turística e urbana de Natal pode contribuir para a procura por imóveis, mas investimentos em infraestrutura também são considerados importantes para sustentar esse movimento.
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