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Prefeitura de cidade do RN é investigada por esquema de “bets”; Justiça congela bens milionários

O MPRN também identificou indícios de lavagem de dinheiro e o uso de “laranjas”, pessoas sem perfil econômico compatível com os valores transacionados - Reprodução/Freepik
O caso envolve a criação e funcionamento da agência municipal denominada LOTSERIDÓ, que é vinculada à Prefeitura do município em questão  |   BNews RN - Divulgação O MPRN também identificou indícios de lavagem de dinheiro e o uso de “laranjas”, pessoas sem perfil econômico compatível com os valores transacionados - Reprodução/Freepik
José Nilton Jr.

por José Nilton Jr.

Publicado em 13/11/2025, às 12h49



O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) conseguiu na Justiça a imposição de medidas cautelares que incluem o sequestro, bloqueio e a indisponibilidade de bens que podem somar até R$ 145 milhões, em uma investigação que apura um esquema de exploração irregular de apostas de quotas fixas (bets).

O caso envolve a criação e funcionamento da agência municipal denominada LOTSERIDÓ, que é vinculada à Prefeitura de Bodó, município localizado no interior do Rio Grande do Norte. A agência em questão era usada como fachada para conferir aparência de legalidade a plataformas de apostas online.

A atuação do MPRN levou em consideração a constatação de que municípios não têm competência legal para legislar sobre loterias ou apostas. Essa competência em questão é exclusiva da União. A medida judicial foi considerada urgente, diante do risco de evasão de recursos, fuga de capitais e dissipação de bens. 

Esquema movimentou mais de R$ 400 milhões em 10 meses

De acordo com o que foi apurado, a própria Prefeitura de Bodó informou de maneira pública que as empresas envolvidas movimentaram aproximadamente R$ 415 milhões em apenas 10 meses, com um repasse de 2% da receita bruta (GGR) ao município, o que representa aproximadamente R$ 8 milhões.

O MPRN também identificou indícios de lavagem de dinheiro e o uso de “laranjas”, pessoas sem perfil econômico compatível com os valores transacionados. As investigações apontaram, ainda, para a existência de empresas fictícias e endereços falsos, além de firmas que continuaram operando mesmo após terem sido baixadas na Receita Federal.

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Parte das plataformas utilizava falsificação digital institucional, com injeção de códigos em domínios “.gov.br” e “.edu.br”, para simular vínculos oficiais e enganar os consumidores.

Decisão judicial e fundamentos legais

O pedido do MPRN foi acolhido pela Justiça do Rio Grande do Norte, que determinou o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras e planos de previdência via Susep, além da indisponibilidade de imóveis registrados no CNIB e do bloqueio de veículos por meio do Renajud.

A decisão tem o objetivo de impedir a continuidade das atividades criminosas e garantir a futura reparação dos prejuízos causados aos cofres públicos e aos consumidores.

MPRN reforça combate à lavagem e proteção ao consumidor

O Ministério Público reforça que o objetivo da medida é interromper as práticas ilegais, proteger os consumidores e impedir a lavagem de recursos obtidos de forma ilícita.

De acordo com o Ministério, o esquema em questão promovia desinformação sobre a legalidade das apostas, desconsiderando riscos sociais e o bem-estar mental dos apostadores.

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