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A situação dos oceanos no planeta atingiu um nível considerado preocupante e exige ações urgentes e coordenadas da comunidade internacional. O alerta foi feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) em relatório divulgado nesta semana, que reúne dados sobre o estado dos mares e os impactos das mudanças climáticas em diferentes regiões do mundo.
O documento, chamado Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA-3), é considerado a principal análise multidisciplinar sobre a saúde dos oceanos. O estudo contou com a participação de mais de 550 cientistas e especialistas de 86 países e avaliou indicadores registrados principalmente entre 2018 e 2023.
Segundo a ONU, houve piora significativa em diversos aspectos ambientais desde a última edição do relatório, publicada em 2022. Entre os principais problemas apontados estão o aquecimento das águas, a elevação do nível do mar, a perda de gelo polar, a redução da biodiversidade marinha, o avanço da poluição por plástico e a pressão crescente sobre a pesca.
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O relatório destaca que os oceanos entraram em uma fase de aquecimento acelerado, favorecendo a ocorrência de eventos climáticos extremos em ambiente marinho. A taxa média global de elevação do nível do mar chegou a 4,3 milímetros por ano entre 2013 e 2023, acima dos 3,2 milímetros anuais registrados no levantamento anterior.
Outro dado considerado alarmante é a perda de gelo nas regiões polares. Segundo os pesquisadores, os anos de 2022, 2023, 2024 e 2025 registraram níveis recordes de degelo, fenômeno que influencia diretamente a circulação oceânica, o clima global e a elevação dos oceanos.
A poluição plástica também apresentou crescimento expressivo. Enquanto o relatório anterior apontava cerca de 1,4 mil espécies marinhas afetadas por resíduos plásticos, o novo levantamento identificou mais de 4 mil espécies impactadas.
De acordo com o professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos coautores brasileiros do estudo, fenômenos que antes eram considerados excepcionais passaram a ocorrer com frequência cada vez maior.
O especialista afirma que os impactos também podem ser sentidos no Brasil, especialmente em áreas costeiras. Entre os riscos apontados estão a maior vulnerabilidade de cidades litorâneas, prejuízos à pesca, impactos sobre recifes de coral e aumento de eventos climáticos extremos associados ao Oceano Atlântico.
O relatório ainda alerta para a redução dos estoques pesqueiros sustentáveis no mundo. Em 2021, apenas 62,3% dos estoques avaliados permaneciam em condições biologicamente sustentáveis, índice inferior aos 64,6% registrados em 2019, reforçando a preocupação com a segurança alimentar e a preservação dos recursos marinhos.
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