Geral
por José Nilton Jr.
Publicado em 27/09/2026, às 10h00
O Rio Grande do Norte que os potiguares conhecerão nos próximos anos será muito diferente do estado atual. A população deverá ficar mais velha, enquanto o número de habitantes começará a diminuir. As projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a idade média da população potiguar, que era de 34,5 anos em 2023, deverá chegar a 52,6 anos em 2070.
A mudança não será provocada por um único fator. O estado está passando por uma transformação demográfica marcada principalmente pela redução do número de nascimentos e pelo aumento da expectativa de vida. Na prática, haverá menos crianças e jovens, enquanto a participação da população idosa crescerá.
O ponto de virada deve acontecer em 2039. Segundo a projeção do IBGE, é nesse ano que a população do Rio Grande do Norte deverá atingir seu máximo e começar a encolher. A estimativa é de que o estado chegue a aproximadamente 3,5 milhões de habitantes naquele momento.
Depois disso, a trajetória será de queda. Em 2070, a população potiguar deverá estar em torno de 3,07 milhões de pessoas. O movimento deve ocorrer antes do observado para o conjunto do Brasil. No país, a população deverá começar a diminuir a partir de 2042.
Entre os números da projeção, um dos que melhor traduzem a transformação pela qual o estado passará é a idade média da população. Em 2023, o potiguar tinha, em média, 34,5 anos. Em pouco menos de cinco décadas, a projeção indica que esse número chegará a 52,6 anos.
Isso não significa que todas as pessoas terão essa idade. A idade média é um indicador utilizado para mostrar como a estrutura etária da população está mudando. A diferença de 18,1 anos entre os dois períodos ajuda a dimensionar a velocidade do envelhecimento populacional.
O cenário projetado é resultado de duas mudanças que acontecem simultaneamente: as famílias estão tendo menos filhos e as pessoas estão vivendo por mais tempo.
Outro dado importante para entender a transformação está na taxa de fecundidade. Em 2000, a taxa de fecundidade do Rio Grande do Norte era de 2,48 filhos por mulher. Em 2023, caiu para 1,48.
Ou seja, em média, as mulheres potiguares passaram a ter menos de dois filhos ao longo da vida. A redução do número de nascimentos diminui gradualmente a participação de crianças e jovens na população. Ao mesmo tempo, como as pessoas vivem mais, aumenta a proporção de adultos e idosos.
É justamente essa combinação que está por trás do envelhecimento projetado pelo IBGE. A mudança não é exclusiva do Rio Grande do Norte. O estado está inserido em um processo mais amplo de transição demográfica, observado no Brasil e em diversos outros países.
A diferença é que, no RN, os efeitos deverão aparecer de forma particularmente clara nas próximas décadas.
Se, de um lado, nascem menos crianças, de outro, os potiguares estão vivendo mais. A expectativa de vida ao nascer no Rio Grande do Norte chegou a 77,83 anos em 2024, segundo as Tábuas de Mortalidade do IBGE. O número representa um aumento de aproximadamente 18 meses em relação ao ano anterior.
Com esse resultado, o estado passou a apresentar a terceira maior expectativa de vida do país, atrás apenas do Distrito Federal e de Santa Catarina, e ficou na primeira posição entre os estados nordestinos.
No RN, a diferença entre homens e mulheres permanece significativa. A expectativa de vida é de 74,38 anos para os homens e 81,24 anos para as mulheres.
A longevidade feminina, portanto, supera a masculina em quase sete anos. O aumento da expectativa de vida é uma das principais conquistas associadas às transformações demográficas. Mas viver mais também modifica as necessidades da sociedade.
Uma população com maior número de idosos demanda mudanças em diferentes áreas: saúde, previdência, mobilidade urbana, moradia, assistência social e cuidados de longa duração.
Se as projeções se confirmarem, o Rio Grande do Norte de 2070 terá aproximadamente 3,07 milhões de habitantes, contra cerca de 3,5 milhões no momento de maior população, previsto para 2039.
Mas a mudança mais importante talvez não esteja no tamanho da população. Ela estará em quem compõe essa população.
A idade média deverá saltar de 34,5 anos, em 2023, para 52,6 anos, em 2070. A expectativa de vida continuará avançando e a proporção de idosos será cada vez maior, enquanto a fecundidade permanecerá abaixo do nível necessário para reposição da população.
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