Geral
O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, celebrado neste sábado (17), chama a atenção para um dos maiores desafios sociais do Rio Grande do Norte: fortaler políticas públicas voltadas à população em situação de rua.
Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o RN tem registrado uma redução nos indicadores de pobreza, enquanto enfrenta o desafio de ampliar a proteção social às pessoas que vivem em situação de rua. Os dois cenários ajudam a compreender a complexidade das desigualdades sociais.
Dados da Síntese de Indicadores Sociais 2025 também revelam que a proporção da população potiguar vivendo abaixo da linha de pobreza caiu de 43,8%, em 2023, para 33,5%, em 2024. A redução de 10,3 pontos percentuais levou o estado ao menor patamar da série histórica iniciada em 2012.
O resultado também colocou o Rio Grande do Norte com a menor proporção de pessoas pobres entre os estados nordestinos.
A melhora também foi observada na capital. Em Natal, o percentual da população abaixo da linha de pobreza passou de 31,9% para 21,7% entre 2023 e 2024. Na Região Metropolitana de Natal, o índice recuou de 40,1% para 25,7% no mesmo período.
Outro indicador positivo foi a redução da extrema pobreza no estado. Em 2024, 5,2% da população potiguar estava nessa condição, ante 6,4% no ano anterior, conforme os dados do IBGE.
Para o levantamento, a linha de pobreza considera a renda domiciliar mensal por pessoa abaixo do limite internacional adotado pelo estudo, equivalente a R$ 692 em 2024. O indicador de extrema pobreza utiliza um limite de renda inferior. Esses parâmetros permitem comparar as condições de vida da população ao longo do tempo.
Além disso, o rendimento nominal mensal domiciliar per capita do Rio Grande do Norte chegou a R$ 1.819 em 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE em fevereiro de 2026.
Apesar dos avanços nos indicadores de pobreza monetária, os dados sobre a população em situação de rua mostram que a vulnerabilidade social continua sendo um desafio para o estado.
Levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais, com base no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), aponta que o número de pessoas nessa condição passou de 1.597, em 2020, para 3.345, em 2025.
No Nordeste, o RN ocupa a quinta posição em número de pessoas em situação de rua, com 3.345 registros. O estado fica atrás de Bahia (16.624), Ceará (14.171), Pernambuco (8.540) e Maranhão (3.700), mas supera Alagoas (2.968), Paraíba (1.963), Piauí (1.767) e Sergipe (1.723).
Pobreza monetária e situação de rua são fenômenos relacionados, mas diferentes. A redução da proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza não significa, necessariamente, que todos os grupos em situação de vulnerabilidade tenham experimentado a mesma melhora. A situação de rua envolve múltiplos fatores e exige respostas específicas, incluindo acesso à moradia, saúde, assistência social e oportunidades de trabalho.
É nesse contexto que o Comitê Estadual Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política para População em Situação de Rua do Rio Grande do Norte (Ciamp/Rua) vem desenvolvendo iniciativas voltadas ao fortalecimento da política pública no estado.
Atuação
O trabalho do comitê inclui visitas técnicas a serviços de atendimento, entre eles os abrigos 24 horas. As atividades permitem conhecer as condições de funcionamento dos equipamentos e os desafios enfrentados no acolhimento da população em situação de rua.
A atuação territorial também alcançou Mossoró e Parnamirim, com visitas destinadas a conhecer as realidades locais, os serviços disponíveis e as principais dificuldades enfrentadas pelos municípios.
Em Currais Novos, o Ciamp/Rua acompanhou, em 2026, o início da construção da política municipal para a população em situação de rua. A iniciativa representa um movimento de ampliação e descentralização dessa agenda, levando a discussão para além da capital e considerando as particularidades de cada município.
Ações
Além das iniciativas de planejamento e articulação institucional, o comitê realizou a distribuição de kits de higiene para pessoas em situação de rua. A ação busca responder a necessidades básicas identificadas no território e complementa o trabalho de estruturação das políticas públicas.
As iniciativas desenvolvidas pelo Ciamp/Rua reúnem diferentes frentes: fortalecimento institucional, articulação entre secretarias, participação social, visitas técnicas e incentivo à construção de políticas estaduais e municipais.
Embora esse processo ainda esteja em andamento, as ações representam passos para ampliar a cooperação entre o Estado, os municípios, a sociedade civil e a própria população em situação de rua.
O desafio é transformar essa articulação em políticas permanentes e efetivas, capazes de ampliar o acesso à moradia, à saúde, à assistência social e a outros direitos fundamentais. Diante do crescimento registrado no Rio Grande do Norte, fortalecer a rede de atendimento e construir respostas integradas são medidas importantes para enfrentar a vulnerabilidade social e promover a inclusão.
O Ciamp/Rua-RN foi instituído pelo Decreto Estadual nº 27.681/2018 e reestruturado pelo Decreto Estadual nº 30.119, de 9 de novembro de 2020. O objetivo é acompanhar, monitorar e propor o acesso da população em situação de rua a políticas públicas de assistência social, saúde, moradia, trabalho, educação e direitos humanos.
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