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O avanço das propostas que preveem o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho no Brasil passou a preocupar empresários e representantes do setor produtivo no Rio Grande do Norte. O alerta foi feito pelo superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, que defendeu mais debate e transição gradual antes da adoção de mudanças nas regras trabalhistas.
Em entrevista à 96 FM nesta sexta-feira (15), Zeca afirmou que a medida pode atingir principalmente micro e pequenas empresas dos setores de comércio, turismo, alimentação, hospedagem e serviços, áreas que dependem de funcionamento contínuo e de escalas flexíveis para manter as atividades.
Segundo ele, os pequenos negócios concentram atualmente cerca de 36% a 37% dos empregos formais no estado, percentual que pode chegar próximo dos 40% nos próximos anos.
“Quem emprega no Rio Grande do Norte é a pequena empresa”, declarou.
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A discussão ganhou força no Congresso Nacional após propostas que reduzem a jornada semanal de 44 para 40 horas, além da possibilidade de implantação de dois dias de descanso remunerado sem redução salarial. Também tramitam textos que defendem carga horária de até 36 horas semanais.
Para Zeca Melo, embora a pauta envolva uma reivindicação legítima dos trabalhadores, o debate precisa considerar a realidade econômica dos pequenos empreendimentos. O dirigente destacou que muitos negócios operam com equipes reduzidas e profissionais multifuncionais.
Como exemplo, ele citou pousadas do interior e do litoral potiguar, onde um único funcionário costuma desempenhar diversas funções ao longo do expediente, como atendimento, limpeza e manutenção.
“Isso vai mexer diretamente nos custos das empresas”, afirmou.
O superintendente do Sebrae-RN defendeu que a discussão seja feita por setores, respeitando as particularidades de cada atividade econômica. Segundo ele, a realidade de uma pousada, de uma indústria ou de uma empresa de transporte não pode ser tratada da mesma forma.
Zeca também afirmou que mudanças na jornada deveriam ser acompanhadas de mecanismos ligados à produtividade, participação nos lucros e desempenho das empresas. Para ele, o equilíbrio entre direitos trabalhistas e sustentabilidade econômica precisa ser prioridade no debate.
Outro ponto levantado pelo dirigente foi o momento em que a proposta avança no Congresso. Na avaliação dele, discutir mudanças trabalhistas durante o período de reforma tributária e próximo de um cenário eleitoral pode dificultar análises mais técnicas sobre os impactos econômicos.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Sebrae-RN, mostram que o Rio Grande do Norte criou 1.127 empregos formais em março de 2026. Apenas as microempresas foram responsáveis pela abertura de 2.024 vagas no período.
Os setores de serviços, construção civil e comércio lideraram a geração de empregos no estado — justamente segmentos que podem ser diretamente afetados por alterações nas escalas de trabalho.
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