Política
Publicado em 16/04/2026, às 07h08 Malu Machado
O debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (15).
O deputado federal Paulo Azi (União-BA) apresentou seu relatório na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, manifestando-se de forma favorável ao avanço de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que preveem o fim da escala 6x1.
Apesar do parecer positivo, a votação foi imediatamente interrompida por um pedido de vista coletivo liderado pelos deputados Lucas Redecker (PSD-RS) e Bia Kicis (PL-DF), que alegaram necessidade de analisar o texto minuciosamente. Com isso, o presidente da CCJ, Leur Lomanto Júnior (União-BA), adiou a deliberação para um prazo máximo de 15 dias.
O relatório de Paulo Azi unificou a análise de dois textos distintos que tramitam na Casa:
Esta discussão na CCJ foca na admissibilidade (se os textos respeitam a Constituição) e é diferente do projeto de lei apresentado pelo governo Lula no dia anterior (14), que sugere o limite de 40 horas semanais e escala 5x2. Atualmente, o limite constitucional é de 44 horas semanais.
Mesmo limitando-se à análise constitucional, Paulo Azi incluiu recomendações cruciais para as próximas etapas:
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma redução para 40 horas semanais poderia elevar os custos operacionais entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano, um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos.
Caso as PECs sejam aprovadas pela CCJ daqui a duas semanas, o mérito será discutido em uma Comissão Especial. Somente após essa fase o texto seguirá para votação em dois turnos no Plenário da Câmara e, posteriormente, para o Senado.
Se aprovado em ambas as casas, o sistema 6x1 será extinto, instituindo a escala 4x3 com 36 horas semanais.
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