O Rio Grande do Norte enfrenta um cenário alarmante na saúde pública, com 46.930 pessoas aguardando por cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo dados atualizados do portal Regula Cirurgia, da Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap). A consulta foi realizada ao meio-dia desta quinta-feira (16).
Entre os procedimentos mais solicitados, o tratamento cirúrgico de varizes lidera com 3.296 pacientes na fila. Na sequência aparece a colecistectomia, cirurgia para retirada da vesícula biliar, com 2.808 pessoas aguardando, seguida pela histeroscopia, exame utilizado para avaliação do útero, que soma 2.149 solicitações.
O volume elevado evidencia a pressão sobre o sistema de saúde estadual, que não consegue estimar o tempo de espera para os pacientes. De acordo com a Sesap, cada procedimento possui características específicas, o que impede uma previsão uniforme.
Maior pressão
A capital potiguar concentra o maior número de pacientes na fila, com 8.861 pessoas aguardando cirurgias. Em seguida aparecem Parnamirim, com 2.174; e Macaíba, com 1.880 pacientes.
Outros municípios também registram alta demanda, como Mossoró, com 1.549 pessoas na fila; e Ceará-Mirim, com 1.372. São José de Mipibu soma 967; Currais Novos registra 908 e Extremoz aparece com 805 pacientes aguardando.
Completam a lista São Gonçalo do Amarante, com 790; Santa Cruz, com 750; Goianinha, com 741; Macau, com 733; e Nova Cruz, com 710. João Câmara contabiliza 652 pacientes, enquanto Santo Antônio registra 642 pessoas à espera por procedimentos.
Investimentos e cirurgias
Mesmo diante do cenário crítico, o Governo do Estado afirma ter ampliado a capacidade de atendimento nos últimos anos. Desde a criação do sistema Regula Cirurgia, já foram realizados 135.528 procedimentos em todo o estado.
Somente em março de 2026, considerado o mês com maior volume do ano, foram registradas 7.893 cirurgias. As unidades que mais recebem pacientes são o Hospital Saúde de Todos, com cerca de 15 mil vagas; o Hospital Lindolfo Gomes, também com 15 mil; e o Hospital Regional de João Câmara, com aproximadamente 13 mil vagas.
A gestão estadual destaca ainda que, ao longo de sete anos, promoveu a reestruturação das unidades próprias de saúde, totalizando 76.530 cirurgias realizadas no período. A expansão da rede, especialmente no interior, também é apontada como fator para o aumento da demanda.
Interiorização amplia acesso
Segundo o Governo do Estado, a interiorização da saúde contribuiu para o crescimento expressivo no número de procedimentos. A ampliação de serviços permitiu levar cirurgias eletivas ortopédicas para além da Região Metropolitana.
Pela primeira vez, hospitais regionais passaram a realizar esse tipo de procedimento em cidades como Assú, Mossoró e Pau dos Ferros, o que ampliou o acesso da população aos serviços especializados.
Apesar dos avanços, o número de pessoas aguardando por cirurgias segue elevado, evidenciando um desafio persistente para a rede pública de saúde no estado.