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Festas viram armadilha: excesso de álcool dispara riscos à saúde física e mental no fim do ano

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Entenda como o consumo de bebidas alcoólicas cresce nas festas e os riscos associados à saúde física e mental  |   BNews RN - Divulgação Freepik
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 24/12/2025, às 13h28



O consumo de bebidas alcoólicas tende a aumentar no período de festas de fim de ano, impulsionado por confraternizações e celebrações familiares.

Para a psiquiatra Alessandra Diehl, membro do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abad), esse comportamento amplia os riscos à saúde física e mental e gera impactos diretos nas relações sociais.

Segundo a especialista, não existe consumo seguro de álcool. Documentos recentes, ratificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçam que qualquer quantidade ingerida pode provocar danos ao organismo.

Nesse período, situações de risco se tornam mais frequentes, especialmente em ambientes familiares onde o consumo é naturalizado e pouco controlado.

Quedas, intoxicações e crianças em risco

Entre os problemas mais comuns associados ao aumento do consumo nas festas estão quedas, intoxicações e falhas na supervisão de crianças. Alessandra Diehl alerta que a presença de adultos alcoolizados compromete a atenção necessária com os menores.

Segundo a psiquiatra, é recorrente o aumento da procura por pronto-atendimentos pediátricos nessa época do ano, com registros de crianças que ingeriram bebida alcoólica por falta de vigilância adequada.

O cenário se agrava quando o álcool é consumido de forma excessiva e contínua ao longo das celebrações, elevando o risco de acidentes domésticos e emergências médicas.

Conflitos, medicamentos e perda do senso crítico

Outro efeito observado é o aumento da agressividade e de conflitos familiares. O álcool interfere diretamente no julgamento e na capacidade crítica, fazendo com que as pessoas se exponham a situações perigosas.

Entre os principais riscos estão dirigir sob efeito de álcool, misturar bebida alcoólica com medicamentos e se envolver em discussões e episódios de violência.

Para quem já enfrenta problemas relacionados ao álcool, o período de fim de ano é ainda mais sensível, marcado por maior oferta da bebida e por forte pressão social para consumir.

Glamourização e impacto na saúde mental

Alessandra Diehl destaca que a cultura brasileira ainda glamouriza o álcool, transformando a bebida em elemento central das comemorações. Para pessoas em recuperação ou emocionalmente vulneráveis, isso pode funcionar como gatilho para recaídas.

A psiquiatra também chama atenção para os efeitos na saúde mental. Muitas pessoas recorrem ao álcool como tentativa de aliviar sentimentos de tristeza, ansiedade e frustrações comuns nessa época.

Segundo ela, o uso da bebida como uma espécie de anestesia emocional tende a agravar quadros de ansiedade e depressão já existentes, criando um ciclo de sofrimento psicológico.

Jovens bebem mais e dados acendem alerta

O aumento do consumo entre adolescentes é outro ponto de preocupação. Dados do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado em parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), indicam crescimento do consumo entre menores de idade.

Enquanto a proporção de adultos que bebem regularmente caiu de 47,7% em 2012 para 42,5% em 2023, o consumo pesado entre adolescentes subiu de 28,8% para 34,4% no mesmo período.

A especialista reforça que não existe consumo moderado para adolescentes, já que o consumo é proibido por lei e o cérebro ainda está em desenvolvimento.

Papel da família na prevenção

A psiquiatra critica a postura de famílias que permitem ou incentivam o consumo de álcool por adolescentes dentro de casa, mesmo sob o argumento de supervisão.

Para ela, a prevenção passa por uma presença familiar mais ativa e por mensagens claras de que a bebida não deve ocupar o centro das celebrações. Segundo Alessandra Diehl, é possível estabelecer limites e afirmar que o álcool não será protagonista das festas, protegendo a saúde e o desenvolvimento dos jovens.

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