A chegada do período natalino reforça um movimento já conhecido no País, com a preferência crescente por pratos mais doces, gordurosos e elaborados nas mesas festivas.
Uma pesquisa nacional do instituto QualiBest, realizada em 2024, aponta que proteínas processadas com tempero pronto lideram as escolhas, sendo o Chester favorito de 38% dos participantes. Entre os jovens da chamada Geração Z, o doce assume protagonismo, já que 57% optam pelo chocotone em vez do panetone tradicional.
Comportamento alimentar e influência do ambiente
O aumento do consumo de preparações mais calóricas encontra respaldo em fatores emocionais e sociais que se intensificam no fim do ano.
Segundo Helington Costa, coordenador do curso de Psicologia da Estácio de Sá, Estácio, abundância de comida, convivência familiar e a sensação de permissão moldam o comportamento à mesa.
O psicólogo explica que as refeições coletivas se tornam maiores porque o clima social favorece repetir porções e prolonga o tempo de permanência, além de estimular o comer emocional em momentos de cansaço, estresse ou sensibilidade.
Entre os mais jovens, a rotina acelerada combinada ao grande número de compromissos sociais reforça esse padrão. Victória Orlando, universitária da Geração Z, comenta que tenta manter hábitos saudáveis, embora o excesso de encontros dificulte. Ela afirma que cada reunião tem valor afetivo e que o desafio é conciliar prazer gastronômico e equilíbrio.
Estratégias práticas para reduzir excessos
A professora Eva Andrade, docente do curso de Nutrição da Estácio de Sá, Estácio, destaca que açúcar, farinhas e gorduras concentradas tornam muitos pratos natalinos verdadeiras bombas calóricas.
Ela recomenda trocas simples para preservar a tradição sem exageros, como escolher carnes mais magras, apostar em temperos naturais, reduzir açúcar e substituir frituras por receitas assadas.
Helington Costa acrescenta que decidir com antecedência quais alimentos realmente valem a pena e comê-los com calma favorece uma relação mais consciente com a comida, ampliando a saciedade e reduzindo impulsos.
Victória segue essa lógica ao selecionar de forma criteriosa o doce que realmente deseja, recusando o chocotone em favor de opções que considera mais saborosas. Para ela, comer de forma consciente evita arrependimentos e preserva o prazer da ceia.
Reprodução/Freepik
Dicas para uma ceia equilibrada
Adotar uma postura consciente é essencial para aproveitar o período sem comprometer a saúde. Para o psicólogo, a autocompaixão prática é um dos melhores caminhos quando o exagero acontece, sem punições ou jejuns compensatórios, apenas retomando a alimentação equilibrada na refeição seguinte.
Mudanças simples também ajudam a evitar excessos, como reduzir porções, montar o prato antes de comer, dar preferência a proteínas magras e saladas, preparar receitas com menos sal, açúcar e gordura, evitar misturas pesadas e manter boa hidratação, alternando bebida alcoólica com água.
Para pessoas com diabetes, hipertensão ou intolerâncias alimentares, Eva Andrade reforça a importância do planejamento. Ela orienta reduzir açúcares simples, controlar carboidratos, evitar embutidos ou molhos prontos, substituir laticínios ou farinhas quando necessário e sempre verificar rótulos.
Saúde mental também importa
Além dos cuidados físicos, especialistas lembram que o emocional desempenha papel central nas escolhas alimentares. Helington Costa observa que, quando a comida se torna um mecanismo para lidar com ansiedade, tristeza ou sensação de inadequação, buscar apoio profissional pode ser decisivo.
Ele ressalta que o objetivo não é substituir a ceia, mas transformar o período festivo em um momento de encontro com pessoas, e não de conflito com o próprio prato.