Política
Publicado em 09/09/2026, às 19h13 Antonio Augusto/STF Jussier Lucas
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, assumiu nesta quarta-feira (9) a relatoria do chamado inquérito das Fake News, aberto em 2019 para investigar notícias falsas, ameaças e ataques contra a Corte, seus ministros e familiares. A investigação estava sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes desde o início.
A mudança ocorre em meio ao embate entre Moraes e o ministro André Mendonça, que ganhou força após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, personagem central das investigações envolvendo o Banco Master. Mendonça havia determinado o levantamento do sigilo de documentos relacionados ao caso.
Na última sexta-feira (4), Fachin já havia determinado a retirada de um pedido apresentado por Moraes para investigar Mendonça dentro do inquérito das Fake News. Agora, ao assumir a relatoria, o presidente do STF passa a conduzir diretamente o procedimento.
A decisão ocorre cinco dias depois de Fachin defender publicamente o encerramento do inquérito. Na ocasião, o ministro afirmou que os acontecimentos recentes reforçavam a urgência de colocar fim ao procedimento.
Apesar da mudança no comando, os atos praticados durante a relatoria de Moraes foram preservados. Segundo as informações divulgadas sobre a decisão, processos relacionados ao inquérito que já tiveram denúncias recebidas continuarão tramitando normalmente.
O inquérito, instaurado em março de 2019 por determinação do então presidente do STF, Dias Toffoli, ficou conhecido popularmente como “Inquérito do Fim do Mundo”. Ao longo dos anos, passou a envolver políticos, influenciadores e integrantes da oposição.
Leia também:
O conflito entre os ministros ganhou novos contornos após Mendonça ter acesso a relatórios da Polícia Federal que continham mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro.
O material apontou, segundo as informações divulgadas, contatos entre Vorcaro e Moraes, além de referências a um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e o empresário.
As mensagens também mencionariam cartões com limite de R$ 300 mil destinados aos filhos de Moraes e consultas feitas por Vorcaro sobre o andamento das investigações envolvendo o Banco Master.
Após a divulgação do material, Moraes apresentou pedido para incluir Mendonça no inquérito das Fake News. O ministro alegou possíveis irregularidades na atuação do colega em investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As alegações apresentadas por Moraes contra Mendonça não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade do ministro.
A mudança de relatoria acontece em um período de forte tensão dentro do Supremo. A possibilidade de encerramento do inquérito das Fake News passou a ser discutida como uma alternativa para reduzir o desgaste provocado pelo confronto entre ministros.
Com Fachin no comando, a expectativa é de que o presidente da Corte conduza as próximas decisões sobre o futuro da investigação e busque construir apoio entre os demais integrantes do Supremo para definir os próximos passos.
O inquérito, entretanto, não será simplesmente reiniciado. Os atos realizados durante a relatoria de Moraes permanecem válidos, enquanto processos que já avançaram para a fase de ação penal seguem seus próprios trâmites.