Política
Publicado em 25/10/2026, às 07h00 Reprodução/Internet Redação
Carlos Eduardo Xavier, conhecido como Cadu de Lula, construiu sua trajetória profissional longe das urnas. Engenheiro de computação, mestre em Engenharia de Produção e auditor fiscal do Rio Grande do Norte desde 2005, ele passou mais de duas décadas no serviço público estadual antes de entrar na disputa pelo Governo do Estado.
Aos 48 anos, Cadu chega ao segundo turno das eleições de 2026 como representante do Partido dos Trabalhadores (PT), depois de comandar a área tributária e financeira da administração estadual por mais de sete anos. Nascido no Rio de Janeiro, filho de potiguares e criado no Rio Grande do Norte desde a infância, Cadu tem sua história pessoal e profissional ligada ao estado que agora pretende governar.
Sua candidatura representa a aposta do grupo político liderado pela governadora Fátima Bezerra (PT) e pelo presidente Lula (PT) na continuidade de um projeto administrativo que busca associar desenvolvimento econômico, políticas sociais e ampliação de direitos.
A disputa eleitoral, entretanto, coloca diante do candidato um desafio que vai além da experiência técnica: transformar o conhecimento acumulado na gestão pública em uma proposta de governo capaz de responder às principais demandas da população potiguar.
Embora tenha nascido no Rio de Janeiro, Cadu de Lula desenvolveu sua vida no Rio Grande do Norte. Filho de potiguares, construiu no estado suas referências pessoais e sua formação acadêmica, tornando-se um profissional ligado à administração pública estadual.
A escolha pela Engenharia de Computação o levou à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), instituição na qual concluiu a graduação. Posteriormente, também na universidade pública, obteve o título de mestre em Engenharia de Produção.
A formação combina conhecimentos tecnológicos, capacidade analítica e ferramentas de planejamento e organização de processos. São competências que encontraram aplicação em sua carreira no serviço público, especialmente nas atividades relacionadas à fiscalização tributária e à administração das receitas estaduais.
Na vida pessoal, Cadu é pai de João Vitor e Júlia, filho de dona Socorro e seu José e irmão de Nanidja. Esses vínculos familiares integram a história que o candidato apresenta ao eleitorado, em uma tentativa de aproximar a imagem do gestor público da dimensão pessoal de sua trajetória.
A trajetória profissional de Cadu ganhou um novo capítulo em 2005, quando ingressou na carreira de auditor fiscal do Tesouro Estadual do Rio Grande do Norte, após aprovação em concurso público.
O trabalho na administração tributária o colocou em contato direto com os mecanismos de arrecadação, fiscalização e funcionamento das contas públicas. Ao longo dos anos, exerceu funções técnicas na estrutura fazendária, incluindo atividades na Coordenadoria de Fiscalização e na área responsável pela fiscalização de estabelecimentos usuários de equipamentos de automação comercial.
A experiência também o aproximou das discussões sobre a valorização dos servidores e o funcionamento da máquina pública. Cadu integrou a direção do Sindicato dos Auditores Fiscais do RN (Sindifern), entidade representativa da categoria.
Esse percurso contribuiu para consolidar seu perfil profissional antes da chegada ao primeiro escalão do governo estadual. Diferentemente de candidatos que construíram suas trajetórias principalmente em mandatos eletivos, Cadu chegou à disputa pelo Executivo depois de ocupar funções técnicas e administrativas dentro do próprio Estado.
Em janeiro de 2019, no início do primeiro mandato de Fátima Bezerra, Cadu assumiu a Secretaria de Estado da Tributação. A nomeação marcou sua passagem de uma carreira técnica para uma posição de responsabilidade direta na formulação e execução da política tributária estadual.
A função envolvia a administração da arrecadação própria, a fiscalização dos contribuintes e o acompanhamento dos mecanismos que sustentam parte significativa das receitas públicas.
Em junho de 2023, com a reorganização administrativa que reuniu as estruturas tributária e financeira, ele passou a comandar a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-RN). A pasta ampliou o alcance de suas responsabilidades, colocando-o à frente de uma área estratégica para o funcionamento do governo.
A gestão fazendária exige conciliar arrecadação, despesas obrigatórias, compromissos financeiros e disponibilidade de recursos para investimentos. É nesse campo que Cadu construiu sua principal credencial política: a experiência acumulada na administração das contas estaduais.
Em abril de 2026, deixou oficialmente o cargo para disputar o Governo do Rio Grande do Norte, cumprindo o calendário de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral.
A atuação de Cadu ultrapassou as fronteiras potiguares durante sua passagem pela área fazendária. Entre 2023 e 2025, ele presidiu o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).
A entidade reúne representantes das administrações fazendárias estaduais e participa de discussões nacionais sobre política tributária, federalismo fiscal e relações financeiras entre os estados e a União.
A presidência do comitê ampliou sua interlocução com gestores de outras unidades da Federação e com representantes do governo federal, em um período de debates importantes sobre a reforma tributária brasileira.
A experiência passou a integrar o conjunto de credenciais que o candidato apresenta na campanha. Além do conhecimento específico sobre o funcionamento da máquina pública potiguar, Cadu procura demonstrar familiaridade com discussões nacionais que afetam diretamente a arrecadação, a distribuição de receitas e a capacidade de investimento dos governos estaduais.
Apesar da longa trajetória no serviço público, a candidatura de 2026 representa a primeira disputa eleitoral de Cadu por um cargo eletivo. Sua entrada na corrida pelo governo ocorreu a partir da articulação política do grupo governista, que buscou um nome com experiência administrativa para dar continuidade ao projeto do PT no estado.
A associação com Lula tornou-se um dos elementos centrais de sua identidade eleitoral. O nome de urna, Cadu de Lula, explicita esse alinhamento e aproxima a candidatura do capital político do presidente da República.
A estratégia também está relacionada à ligação com Fátima Bezerra, responsável por sua nomeação para a Secretaria de Tributação em 2019 e principal referência do grupo governista no Rio Grande do Norte. A candidatura integra a coligação Time Que Cuida, formada pelo PT, PCdoB, PV, PDT e PSB. A chapa tem Larissa Rosado, do PSB, como candidata a vice-governadora.
Ao entrar na disputa, Cadu passou a ocupar um espaço diferente daquele que conhecia como gestor público. Na administração fazendária, sua atuação estava concentrada em questões técnicas e na execução das políticas estaduais. Na campanha, precisa transformar essa experiência em discurso político, ampliar o reconhecimento de seu nome e convencer o eleitor de que está preparado para liderar todas as áreas do Executivo.
O plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral, intitulado RN que Cresce Cuidando de Gente, organiza as diretrizes da candidatura em 13 eixos temáticos. O documento combina propostas de desenvolvimento econômico, modernização administrativa e ampliação de políticas públicas.
Na saúde, Cadu defende a integração dos serviços estaduais e municipais, com melhor organização das filas de consultas, exames e cirurgias. A proposta inclui ampliar a articulação entre hospitais, unidades regionais, atenção básica e serviços especializados, buscando reduzir o tempo de espera e facilitar o acesso da população ao atendimento.
O candidato também apresenta iniciativas relacionadas à telemedicina, à criação de centrais regionais de diagnóstico e à organização dos fluxos de atendimento. A intenção é melhorar a utilização da estrutura existente e reduzir as dificuldades enfrentadas pelos pacientes que precisam percorrer diferentes serviços até obter diagnóstico e tratamento.
Na educação, o plano prevê ampliar a educação em tempo integral, fortalecer a aprendizagem e investir nas condições de funcionamento das escolas estaduais. Entre as diretrizes estão a climatização das unidades, a melhoria da infraestrutura, o acesso à tecnologia e o fortalecimento do ensino profissional.
A proposta também contempla o fortalecimento da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado (Fapern), com o objetivo de ampliar a relação entre educação, ciência, inovação e desenvolvimento econômico.
Na segurança pública, Cadu defende a integração das forças policiais, o uso de inteligência e tecnologia e a cooperação entre governos estaduais, municipais e federal. O plano associa essas medidas à valorização dos profissionais e ao desenvolvimento de ações preventivas voltadas à redução da violência.
Na economia, o candidato aposta na diversificação das atividades produtivas e no aproveitamento das potencialidades do Rio Grande do Norte. As diretrizes incluem energias renováveis, industrialização, inovação tecnológica e agregação de valor à produção local.
O segundo turno coloca frente a frente dois candidatos com trajetórias distintas. Enquanto Allyson Bezerra construiu sua carreira política como deputado estadual e prefeito de Mossoró, Cadu de Lula chega à decisão eleitoral depois de uma trajetória concentrada na administração pública estadual.
A experiência de Cadu está ligada sobretudo à área econômica e à gestão fazendária. A de Allyson inclui o exercício de um mandato legislativo e a administração de uma das principais cidades do Rio Grande do Norte.
Essa diferença ajuda a explicar o contraste entre os perfis apresentados ao eleitorado. Cadu aposta no conhecimento técnico, na experiência acumulada dentro do governo estadual e na articulação política com Lula e Fátima Bezerra. Allyson, por sua vez, apresenta sua experiência à frente da Prefeitura de Mossoró como credencial para administrar o Estado.
Para o candidato petista, a principal questão é demonstrar que a experiência na Secretaria da Fazenda pode ser convertida em capacidade de gestão em áreas que vão muito além das finanças, como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura.
Também está em jogo a avaliação da atual administração estadual. Ao defender a continuidade do projeto político do PT, Cadu assume o compromisso de preservar iniciativas do governo Fátima Bezerra, mas precisa responder às expectativas de eleitores que cobram melhorias nos serviços públicos e resultados concretos na vida cotidiana.