Negócios
Publicado em 19/02/2026, às 17h49 Davi Pinheiro. / Divulgação Jussier Lucas
A proposta que prevê o fim da escala 6x1 — seis dias de trabalho para um de descanso — tem gerado reação no setor de serviços. O presidente da Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac), Edmilson Pereira, afirma que uma eventual mudança sem debate técnico e medidas compensatórias pode provocar aumento de custos, desemprego e repasse de preços ao consumidor.
Segundo o dirigente, o setor é intensivo em mão de obra e opera, em muitos casos, com contratos firmados por meio de licitações públicas e privadas, além de margens reduzidas e elevada carga tributária sobre a folha de pagamento. Para ele, uma alteração abrupta pode comprometer principalmente pequenas e médias empresas, responsáveis por grande parte dos empregos formais no país.
Edmilson ressalta que o debate sobre qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e descanso é legítimo, mas defende que qualquer mudança estrutural precisa considerar os impactos econômicos e sociais envolvidos.
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Impacto no setor de serviços
A Febrac argumenta que a redução da jornada sem diminuição salarial resultaria em aumento direto dos custos operacionais. Empresas que atuam sete dias por semana, como hospitais, escolas, aeroportos e prédios públicos, teriam de ampliar seus quadros para manter a prestação dos serviços.
De acordo com a entidade, esse acréscimo poderia ultrapassar 20% em determinados segmentos, pressionando contratos e gerando necessidade de reajustes. O efeito, segundo a federação, pode alcançar o consumidor final.
Dados do Novo Caged indicam que, entre janeiro e julho de 2025, o setor de serviços registrou saldo positivo superior a 80 mil vagas formais. Para a Febrac, esse desempenho reforça a importância do segmento para a geração de empregos e para a economia.
O presidente da entidade também destaca que a jornada média efetivamente trabalhada no Brasil gira em torno de 39 horas semanais, abaixo do limite máximo de 44 horas previsto na Constituição. Para ele, o modelo atual permite negociações coletivas adaptadas à realidade de cada setor.
A federação defende que o tema seja discutido no âmbito das convenções coletivas e com eventual participação do Estado por meio de medidas como a desoneração da folha, a fim de evitar que o impacto recaia exclusivamente sobre as empresas.
A entidade afirma não ser contrária ao debate sobre modernização das relações de trabalho, mas sustenta que mudanças estruturais devem ocorrer com responsabilidade fiscal, segurança jurídica e previsibilidade econômica, de forma a preservar empregos formais e a continuidade de serviços essenciais.