☰
✕

Geral

Populações de animais silvestres encolhem 73% em 52 anos; água doce registra maior queda

Estudo da WWF aponta queda média de 73% em animais vertebrados entre 1970 e 2022, com 85% de redução em ambientes de água doce  |  Fabiano Veneza/Inea

Publicado em 08/10/2026, às 20h31   Fabiano Veneza/Inea   Jussier Lucas

A população de animais silvestres monitorados no mundo sofreu uma redução média de 73% entre 1970 e 2022. O dado consta no Relatório Planeta Vivo 2026, elaborado pela organização WWF em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres, que analisou milhares de séries de dados sobre vertebrados em diferentes regiões do planeta.

A maior queda foi registrada nos ambientes de água doce, onde o índice aponta redução de 85%. Nos ecossistemas terrestres, o recuo foi de 69%, enquanto nas áreas marinhas chegou a 56%.

O levantamento reuniu 35.803 séries de dados referentes a 5.790 espécies de vertebrados. O resultado evidencia a pressão sobre a biodiversidade mundial, embora não signifique que 73% de todos os animais existentes tenham desaparecido: o indicador acompanha mudanças no tamanho das populações monitoradas ao longo do tempo.

Perda de habitats é a principal ameaça

Segundo o relatório, a perda e a degradação dos habitats naturais são as ameaças mais frequentes às populações analisadas. A destruição de florestas, a alteração de rios e outros ecossistemas e a redução das áreas disponíveis para alimentação e reprodução comprometem a sobrevivência de diversas espécies.

A exploração excessiva de animais e recursos naturais também aparece entre os fatores de risco, seguida pelas mudanças climáticas, pela poluição, pelas espécies invasoras e pelas doenças. O documento relaciona essas pressões aos sistemas de produção de alimentos e energia e às atividades econômicas.

Leia também: 

Desmatamento e mudanças climáticas pressionam espécies no Brasil

No Brasil, a perda de habitat reduz os espaços disponíveis para a reprodução e a sobrevivência da fauna nativa. Queimadas, secas extremas e temperaturas elevadas também alteram as condições dos ecossistemas e podem comprometer o acesso dos animais à água, ao alimento e a áreas de abrigo.

Dados da plataforma Salve, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, citados na reportagem da CNN Brasil, indicam que mais de 80% das espécies de vertebrados brasileiros ameaçadas de extinção são afetadas por pressões associadas ao desmatamento.

As mudanças climáticas também afetam espécies marinhas, especialmente diante do aumento da temperatura dos oceanos e da degradação dos ambientes onde vivem.

Relatório aponta exemplos de recuperação

Apesar do cenário global de declínio, o estudo destaca que metade das populações incluídas no levantamento apresenta estabilidade ou crescimento. Entre os exemplos de recuperação citados estão tartarugas-verdes, atuns-azuis, tigres e elefantes no sul da África.

No Brasil, iniciativas de conservação na região de Iguaçu contribuíram para o aumento da população de onças-pintadas monitoradas, que passou de 11 indivíduos em 2019 para 42 em 2025, segundo os dados apresentados no relatório. O crescimento também é associado a esforços de conservação do mico-leão-dourado, que deixou a categoria de criticamente ameaçado e passou à de ameaçado.

A especialista em Conservação do WWF-Brasil Helga Correa ressalta que os resultados positivos demonstram que o declínio da biodiversidade pode ser revertido. Para isso, porém, são necessárias ações contínuas e em escala, com proteção e recuperação dos ecossistemas e participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e populações locais.

O relatório alerta que iniciativas isoladas não são suficientes para interromper a perda de biodiversidade. A preservação dos habitats e o enfrentamento das causas da degradação ambiental são apontados como medidas essenciais para recuperar populações de animais silvestres e manter o equilíbrio dos ecossistemas.

Classificação Indicativa: Livre


TagsAnimais SilvestresRelatório planeta vivo 2026Wwf