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Cheiro do medo entrega humanos: estudo revela que cavalos sentem pânico pelo olfato

Após a exposição aos odores, os cavalos passaram por testes comportamentais padronizados, conduzidos por pessoas já familiarizadas com os animais  |  Reprodução/Blog Premix

Publicado em 15/01/2026, às 15h45   Reprodução/Blog Premix   José Nilton Jr.

Um novo estudo revelou que os cavalos têm a capacidade de detectar o medo nos seres humanos por meio do olfato, o que os torna mais suscetíveis a se assustar e mais cautelosos ao interagir com pessoas amedrontadas. A descoberta reforça o papel do olfato como um canal poderoso de comunicação emocional entre espécies.

A pesquisa foi publicada na revista científica PLOS One e descreve uma série de experimentos conduzidos por cientistas franceses para avaliar como os odores humanos influenciam o comportamento equino. Até então, essa capacidade era considerada apenas uma hipótese difícil de comprovar.

De acordo com os autores, embora já existissem evidências de que cavalos reconhecem emoções humanas pela voz e pelas expressões faciais, a percepção do medo pelo cheiro permanecia pouco explorada devido às limitações metodológicas para estudar odores.

Método inédito para captar emoções pelo cheiro

Para superar esse desafio, os pesquisadores desenvolveram um protocolo específico de coleta de odores humanos. Discos de algodão foram posicionados nas axilas de voluntários, região onde glândulas sudoríparas liberam substâncias associadas a estados emocionais.

As amostras foram recolhidas enquanto os participantes assistiam a vídeos com diferentes conteúdos, um assustador, um divertido e outro neutro. Em seguida, os discos foram preservados por congelamento para evitar contaminação e manter suas características químicas.

Posteriormente, os odores foram apresentados a 43 éguas, com os discos fixados próximos às narinas dos animais por meio de pequenas redes, garantindo a exposição direta ao estímulo olfativo.

Reações de medo e alterações fisiológicas

Após a exposição aos odores, os cavalos passaram por testes comportamentais padronizados, conduzidos por pessoas já familiarizadas com os animais. Entre as avaliações estavam a aproximação voluntária de um humano no piquete e a reação à abertura repentina de um guarda-chuva.

Durante os testes, os pesquisadores monitoraram indicadores fisiológicos, como frequência cardíaca e níveis de cortisol na saliva, um hormônio associado ao estresse. Os resultados mostraram mudanças claras no comportamento e na fisiologia dos cavalos.

Os animais expostos aos odores de humanos assustados demonstraram respostas de medo mais intensas, evitaram a aproximação de pessoas e mostraram menor curiosidade diante de objetos desconhecidos.

Contágio emocional entre espécies

Para os pesquisadores, os resultados indicam que odores humanos desagradáveis intensificam as reações de medo dos cavalos. Ela destaca que os animais conseguem captar o estado emocional das pessoas mesmo sem contato visual ou auditivo.

Essa descoberta tem implicações práticas importantes para tratadores, treinadores e cavaleiros, que precisam estar atentos ao próprio estado emocional durante o manejo dos animais.

Impactos no manejo e futuras pesquisas

Os pesquisadores também falam que, mesmo não sendo possível controlar totalmente os odores emocionais emitidos pelo corpo humano, manter a calma pode contribuir para interações mais seguras e tranquilas com os cavalos, especialmente durante a montaria.

Além do medo, o grupo planeja analisar se outras emoções, como tristeza e nojo, também podem ser transmitidas quimicamente entre humanos e cavalos.

Classificação Indicativa: Livre


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