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O uso do ChatGPT que está mudando relações, pode levar a divorcio

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Psicólogos alertam sobre o uso do ChatGPT para evitar conversas difíceis e suas consequências nas relações pessoais.  |   BNews RN - Divulgação Imagem: Reprodução

Publicado em 11/01/2026, às 17h27   Mayane Lins



O uso crescente de ferramentas como o ChatGPT para resolver conflitos interpessoais tem gerado preocupações entre psicólogos, que observam uma tendência de evitação emocional em vez de enfrentamento direto das dificuldades nas relações.

Casais e amigos têm utilizado a inteligência artificial como mediador, mas essa prática muitas vezes resulta em um fortalecimento das certezas individuais e um distanciamento emocional, enfraquecendo os vínculos.

Especialistas alertam que a evitação de conversas difíceis pode levar a um aprendizado prejudicial, onde o cérebro associa o enfrentamento a riscos, comprometendo a capacidade de lidar com frustrações e vulnerabilidades nas relações humanas.

Resumo gerado por IA

Com a tecnologia cada vez mais presente no cotidiano, novas formas de lidar com emoções e conflitos também surgem, mas sempre de forma saudável. Psicólogos têm observado um fenômeno crescente: pessoas recorrendo ao ChatGPT para “resolver” brigas, tensões e frustrações, em vez de enfrentar conversas difíceis com quem está do outro lado do conflito.

A prática, que parece moderna e racional, esconder um comportamento psicológico conhecido: a evitação emocional. Em vez de lidar diretamente com o desconforto de uma discussão, o indivíduo busca alívio rápido em uma ferramenta que responde, valida e organiza pensamentos, mas que não constrói relações.

Em relatos recentes analisados pela psicologa Luana Marques, da coluna Viver com Ousadia, na Veja, casais e amigos passaram a usar a inteligência artificial como uma espécie de mediador. Em um dos casos, um casal utilizou uma função do ChatGPT que permite diálogo entre duas pessoas. A intenção era reduzir conflitos. O efeito, porém, foi outro: cada parte saiu da conversa mais segura de que estava certa e mais distante do outro.

Em outra situação, uma pessoa que havia brigado com uma amiga preferiu “processar” tudo com a IA. Houve sensação de clareza e alívio, mas a conversa real nunca aconteceu. O vínculo, silenciosamente, começou a se enfraquecer.

Segundo a especialista, o problema não está na tecnologia mas no uso que se faz dela. O cérebro humano, quando se sente ameaçado, seja por medo de rejeição, perda ou conflito, tende a buscar formas rápidas de se proteger. Evitar o confronto é uma delas.

No curto prazo, isso funciona: a ansiedade diminui. Mas o conflito permanece. E relações não se sustentam apenas com alívio emocional individual, elas exigem presença, escuta e disposição para atravessar o desconforto.

Psicólogos alertam que, quando alguém aprende a “desviar” de conversas difíceis usando ferramentas digitais, o cérebro passa a associar enfrentamento com risco e evitação com segurança. O resultado, ao longo do tempo, é o enfraquecimento dos laços afetivos, profissionais e pessoais.

A questão, portanto, vai além dos relacionamentos. Trata-se da capacidade adulta de tolerar frustração, desacordo e vulnerabilidade. Nenhuma inteligência artificial pode substituir o que acontece quando duas pessoas permanecem em uma conversa difícil, mesmo quando o corpo quer fugir.

A tecnologia pode organizar ideias. Mas quem precisa sustentar o diálogo ainda é o ser humano.

As informações são da Veja.

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