Cidades
Publicado em 31/10/2026, às 07h00 Reprodução/Prefeitura do Natal José Nilton Jr.
Por trás das praias, dos passeios turísticos e das avenidas movimentadas, Natal guarda lugares que parecem ter ficado parados no tempo. Em bairros como Ribeira e Cidade Alta, prédios antigos, casarões e espaços históricos convivem com o desgaste das estruturas e a perda de parte do protagonismo que tiveram em outras épocas.
São cenários que ajudam a contar a história da capital potiguar, mas que muitas vezes passam despercebidos na rotina dos moradores. Um dos principais exemplos é a Ribeira, bairro que já foi um importante centro comercial e cultural da cidade. Suas ruas abrigam construções que testemunharam diferentes fases da vida natalense, desde o comércio intenso até os tempos de efervescência boêmia.
Hoje, parte desse patrimônio enfrenta problemas de conservação e imóveis sem utilização, enquanto a memória do bairro resiste nas fachadas antigas e nas histórias de quem conheceu seus anos de maior movimento.
Entre os exemplos está o edifício Galhardo. A construção, que também serviu de cenário para produções audiovisuais, tornou-se símbolo das dificuldades de preservação do patrimônio histórico local.
Outro registro importante está no antigo prédio da loja A Samaritana, na Rua Doutor Barata, lembrança de uma época em que o comércio movimentava aquela parte da cidade. Desde o ano de 2022, o prédio vem passando por um processo de restauração, com um projeto que busca transformar o local em um café e espaços abertos ao público.
Na Cidade Alta, a memória também está escondida em construções que nem sempre chamam a atenção de quem passa. Entre elas estão imóveis ligados à história política e social do Rio Grande do Norte, como a antiga residência de Café Filho, potiguar que chegou à Presidência da República.
As casas e os edifícios históricos ajudam a reconstruir a trajetória de personagens que marcaram a vida pública brasileira, mesmo quando já não preservam integralmente suas características originais.
Redescobrir esses espaços é uma maneira de enxergar Natal para além dos seus cartões-postais. Entre ruas antigas, fachadas desgastadas e edifícios que resistem à passagem do tempo, a capital potiguar preserva fragmentos de sua trajetória.