Zé Galado
Um antigo poderoso da capital potiguar voltou a circular com desenvoltura pelos corredores da política em plena temporada eleitoral. Corcundinha depois dos 50, ele agora só tem olhos para licitações municipais e a estudante de psicologia da Pulse. Nos bastidores, muita gente tenta decifrar quais serão seus próximos passos e que interesses podem estar por trás da nova movimentação. A pergunta que corre de boca em boca é uma só: qual será a próxima jogada do Corcunda do Tyrol?
O clima esquentou de vez na campanha de Allyson Bezerra. A candidatura decidiu levar à Justiça Eleitoral vídeos publicados por Matheus Faustino nas redes sociais, alegando que o conteúdo faz propaganda negativa contra integrantes da chapa. Zé Galado já percebeu que a campanha potiguar ganhou mais um personagem: o botão de “denunciar”. Quando a discussão sai das redes e chega ao TRE-RN, é sinal de que o negócio deixou de ser apenas troca de farpas.
A representação foi apresentada nesta quinta-feira (17) e pede, em caráter liminar, a suspensão dos anúncios questionados. A principal bronca da campanha de Allyson está no uso de impulsionamento pago para ampliar a divulgação dos vídeos. Faustino, por sua vez, afirma que os conteúdos são baseados em fatos, documentos e informações públicas e sustenta que a discussão está concentrada nos anúncios patrocinados, e não necessariamente nas publicações orgânicas.
Agora a bola está com a Justiça Eleitoral. Zé Galado só espera que ninguém se surpreenda se, daqui a pouco, o debate eleitoral ganhar mais advogado do que candidato.
Matheus Faustino não parece disposto a deixar os vídeos pelo caminho. Ao se manifestar no caso levado à Justiça Eleitoral pela campanha de Allyson Bezerra, o candidato a deputado federal sustentou que as publicações foram produzidas com base em fatos, documentos e informações disponíveis publicamente.
A defesa também afirma que os conteúdos fazem questionamentos direcionados a candidatos e grupos políticos, sem apresentar informações falsas. Zé Galado prestou atenção nessa parte. Porque uma coisa é discutir se um vídeo pode ser impulsionado. Outra, bem diferente, é discutir o que está sendo dito nele.
E é justamente aí que a disputa pode ficar mais interessante. A campanha de Allyson questiona o conteúdo como propaganda negativa, enquanto Faustino defende que está fazendo críticas e questionamentos amparados em informações públicas. No fim das contas, a Justiça Eleitoral terá que analisar os pedidos apresentados pela coligação e decidir os próximos capítulos dessa novela. Zé Galado já separou a pipoca. Porque quando político leva vídeo para a Justiça, é sinal de que o debate das redes ganhou direito a segunda temporada.
A corrida pelo Governo do RN ganhou uma troca de última hora no partido Democracia Cristã (DC). Depois que o TRE-RN indeferiu o registro de Carlos Jararaca, que passou a constar como inapto, o partido puxou Godeiro Linhares para assumir a candidatura. Zé Galado ficou curioso com a mudança de piloto no meio da corrida.
Jararaca saiu do páreo e Linhares entrou com um currículo que parece feito sob medida para o discurso de modernização: Direito, Administração Pública, gestão de projetos, políticas públicas e até inteligência artificial. É o famoso "deu problema no sistema, chama quem entende de sistema". Só falta agora a Justiça Eleitoral dizer se o novo nome passa pela tela de aprovação. Afinal, a candidatura de Godeiro Linhares ainda aparece como pendente de julgamento.
Godeiro Linhares já tinha outro plano eleitoral antes de desembarcar na disputa pelo Governo. Segundo informações que chegaram ao Zé Galado sobre as candidaturas, ele tentou inicialmente concorrer ao Senado usando o nome "Linhares Jiboia", mas o registro daquela chapa também foi indeferido. Agora, a jiboia mudou de caminho e apareceu na corrida pelo Palácio Potengi. Zé Galado não entende muito de zoologia eleitoral, mas sabe reconhecer uma criatura que não desiste fácil.
O curioso é que o novo candidato chega justamente defendendo inovação, transformação digital e até um projeto chamado "GovernIA, Governo com Inteligência Artificial". Depois de trocar Senado por Governo, resta saber se foi inteligência artificial ou inteligência política que fez a mudança de rota.
Zé Galado só recomenda acompanhar o sistema da Justiça Eleitoral. Porque, nesta eleição, até candidatura parece estar funcionando em modo "atualização disponível".
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