Política

Vídeo racista atribuído a Trump gera crise política e leva Casa Branca a remover publicação

Molly Riley/Official White House
O vídeo fazia parte de uma série de postagens de Trump que reforçavam alegações infundadas sobre fraude eleitoral nas eleições de 2020  |   BNews RN - Divulgação Molly Riley/Official White House
Jussier Lucas

por Jussier Lucas

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Publicado em 06/02/2026, às 19h21



A Casa Branca removeu um vídeo de Donald Trump que retratava Barack e Michelle Obama de forma racista, após forte reação negativa, inclusive de membros do Partido Republicano. A postagem foi considerada um erro interno e gerou críticas significativas no cenário político americano.

O vídeo, que continha teorias conspiratórias sobre as eleições de 2020, associava os Obamas a macacos, uma representação historicamente racista. A porta-voz da Casa Branca tentou minimizar a situação, mas a condenação de políticos, como o senador Tim Scott, foi contundente.

Apesar da exclusão do conteúdo, não houve pedido de desculpas por parte de Trump ou da Casa Branca, mantendo o episódio em destaque nas discussões políticas. Especialistas alertam para o impacto desse discurso nas tensões raciais e institucionais nos Estados Unidos.

Resumo gerado por IA

A Casa Branca removeu, nesta sexta-feira (6), um vídeo publicado no perfil do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mostrava o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama representados como macacos. A publicação provocou forte reação negativa dentro e fora do país, incluindo críticas de integrantes do próprio Partido Republicano.

O conteúdo foi divulgado na noite de quinta-feira (5) na Truth Social, rede social pertencente a Trump, e foi retirado do ar após a repercussão. Em declaração à agência Reuters, uma autoridade do governo norte-americano, sob condição de anonimato, afirmou que a postagem foi resultado de um erro interno. “Um funcionário da Casa Branca cometeu um erro ao fazer a postagem. Ela foi removida”, disse.

Apesar da exclusão do vídeo, até o momento não houve pedido público de desculpas por parte de Trump ou da Casa Branca. A família Obama também não se manifestou oficialmente sobre o episódio.

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Reação política e críticas internas

A porta-voz presidencial Karoline Leavitt tentou minimizar o caso ao afirmar que o vídeo se tratava de “um meme da internet que mostra o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens do Rei Leão”. A justificativa, no entanto, não impediu a reação negativa de parlamentares e lideranças políticas.

O senador republicano Tim Scott classificou a publicação como ofensiva e afirmou, em uma rede social, que se tratava de “a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca”. “O presidente deveria apagá-lo”, escreveu. O líder da bancada democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, também condenou o conteúdo e saiu em defesa do casal Obama, a quem descreveu como “o melhor deste país”.

O vídeo, com cerca de um minuto de duração, reunia teorias conspiratórias sobre uma suposta fraude nas eleições presidenciais de 2020, alegações que nunca foram comprovadas. Nos segundos finais, surgiam imagens do casal Obama com rostos inseridos digitalmente em corpos de macacos, associação considerada historicamente racista.

Discurso eleitoral e falsas acusações

A publicação fez parte de uma sequência de cerca de 60 postagens feitas por Trump em um intervalo de três horas, a maioria reforçando acusações infundadas de fraude eleitoral. Entre elas, voltou a circular a alegação, já desmentida, de que a empresa Dominion Voting Systems teria interferido no resultado das eleições vencidas por Joe Biden.

Em razão da propagação dessas acusações, a emissora Fox News firmou, em 2023, um acordo extrajudicial de US$ 787 milhões com a Dominion para encerrar um processo por difamação.

Analistas avaliam que a retomada desse discurso ocorre em um momento de fragilidade política para Trump, diante do risco de perda da maioria republicana no Congresso nas eleições legislativas de novembro.

Especialistas também apontam preocupação com o impacto do discurso nas tensões raciais e institucionais do país. Mesmo após a remoção do vídeo, a ausência de retratação oficial mantém o episódio no centro do debate político nos Estados Unidos.

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