Política
por José Nilton Jr.
Publicado em 16/02/2026, às 15h25
O senador Rogério Marinho ( PL-RN) divulgou uma nota pública dura contra o desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que prestou homenagem ao presidente Lula (PT). Para o parlamentar, o evento extrapolou o campo cultural e assumiu caráter político, levantando questionamentos sobre possível uso eleitoral da festa.
De acordo com Marinho, uma manifestação artística de alcance nacional não pode ser utilizada para promover autoridades que ocupam o poder. Ele afirmou que transformar o desfile em vitrine política rompe princípios de equilíbrio democrático e cria desigualdade entre possíveis concorrentes eleitorais.
Na avaliação do senador do RN, caso outro agente político protagonizasse situação semelhante, haveria reação imediata das instituições. Por isso, ele anunciou que pretende provocar a Justiça Eleitoral para apurar eventual abuso de poder político e uso indevido de recursos públicos.
Na declaração, Rogério Marinho sustentou que leis não podem ser aplicadas de forma seletiva e que eventos culturais não devem servir como instrumentos de promoção pessoal. O senador afirmou que buscará todas as medidas legais cabíveis para garantir a equidade no processo democrático.
Ele ressaltou que, se forem constatadas irregularidades, espera que as punições previstas na legislação sejam aplicadas, em defesa da democracia e da igualdade de condições entre os atores políticos.
Apesar das orientações internas e dos cuidados adotados, o desfile da Acadêmicos de Niterói também provocou preocupação entre aliados do presidente Lula. De acordo com informações da CNN Brasil, fontes próximas ao presidente admitem o receio de que o episódio possa gerar questionamentos no âmbito da Justiça Eleitoral.
A avaliação de integrantes do governo é de que o ambiente institucional no Judiciário se encontra sensível, o que amplia o risco de reavaliação de entendimentos consolidados sobre propaganda antecipada.
Para esses aliados, o temor não se restringe ao desfile em si, mas ao contexto mais amplo de tensão envolvendo o Judiciário, especialmente após episódios recentes que aumentaram a pressão política sobre os tribunais.
Aliados do presidente Lula rejeitam a tese de campanha antecipada, lembrando que precedentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) costumam caracterizar irregularidade apenas quando há pedido explícito de votos pelo próprio pré-candidato.
Ainda assim, interlocutores do Planalto avaliam que um eventual endurecimento da postura do tribunal poderia impactar não apenas Lula, mas todo o cenário pré-eleitoral, alterando parâmetros hoje considerados pacificados.
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